Fenareg: água tem de ser prioridade estratégica para agricultura europeia no contexto da nova PAC

Os países do Sul da Europa enfrentam desafios crescentes provocados pela escassez hídrica e pelas alterações climáticas, exigindo uma resposta urgente e diferenciada por parte da União Europeia, no contexto da “nova” Política Agrícola Comum (PAC), que deve ser mais ambiciosa, equilibrada e adaptada às realidades das suas regiões. Esta foi a principal conclusão da Conferência Internacional “Agricultura nos Países do Sul da Europa”, promovida pela CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal em parceria com a Fenareg – Federação Nacional de Regantes de Portugal, realizada dia 13 de Junho, na Feira Nacional de Agricultura.

O encontro, de elevado nível institucional e técnico, reuniu decisores políticos, representantes da Comissão Europeia e líderes das principais organizações agrícolas da Península Ibérica, França, Itália e Grécia. Entre os participantes destacaram-se o ministro da Agricultura e Mar de Portugal, José Manuel Fernandes; o Director-geral Adjunto da Direcção-Geral da Agricultura da Comissão Europeia, Pierre Bascou; o presidente da Fenareg e da Irrigants d’Europe, José Núncio; e o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura.

José Núncio defendeu que a resiliência hídrica deve ser uma prioridade estratégica da União Europeia também e sobretudo no contexto da agricultura e da PAC, dispondo de orçamentos próprios e tendo em conta as especificidades das várias regiões que integram o continente, refere uma nota de imprensa da Fenareg. Só esta abordagem holística poderá garantir o futuro da agricultura e com ela da própria Europa, considerou.

O responsável lembrou que Portugal reduziu o consumo de água na agricultura em 52% ao longo das últimas duas décadas, graças ao investimento feito em eficiência hídrica. Contudo, advertiu que o País continua a perder 80% das suas afluências de água superficial devido à falta de capacidade de armazenamento, o que coloca em risco a resiliência de mais de 633 mil hectares de regadio e a actividade de mais de 28 mil agricultores e o desenvolvimento da nossa agricultura.

Regar é uma necessidade vital

Reforçando que regar é uma necessidade, não uma opção para os países do mediterrâneo e dando como exemplo o caso de Portugal que utiliza até 75% da sua água captada total no sector agrícola, enquanto países como a Alemanha utilizam apenas 2%.

José Núncio defendeu também que uma verdadeira resiliência hídrica europeia, exige uma aposta comum a nível europeu para assegurar a construção de novas barragens e alteamento das já existentes, a modernização de infra-estruturas e de mais e novas interligações, da reutilização de água e combate às perdas, em todos os Estados-membros, adianta a mesma nota.

Ainda neste contexto, o presidente da Fenareg e da Irrigants d’Europe, referiu a Estratégia “A Água que Une”, o Plano Nacional da Água (2025-2035) e o Plano REGA, que estão totalmente alinhados com a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica, mobilizam um investimento previsto de 6,6 mil milhões de euros até 2035 no nosso País, com foco na eficiência, na sustentabilidade e na inovação e que serão absolutamente estruturantes para a modernização da agricultura portuguesa, para a soberania alimentar nacional e para a gestão equilibrada da água no futuro.

O responsável sublinhou ainda que a actual proposta da UE para a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica, apresentada há escassas semanas, que aponta para um aumento da eficiência hídrica em 10% até 2030 e prevê 15 mil milhões de euros até 2027 com 100% de co-financiamento e 30% de pré-financiamento, para ser verdadeiramente eficaz precisa de ser ampliada e ajustada às realidades do sul europeu.

“A escassez de água exige metas ambiciosas e requer orçamentos igualmente ambiciosos”, afirmou, defendendo que armazenar água promove a biodiversidade, combate o abandono agrícola e assegura a coesão territorial, como tem sido evidente no caso de Alqueva. O presidente da Fenareg concluiu a sua intervenção apelando a uma visão holística europeia da PAC e da Resiliência Hídrica, baseadas em acções viáveis, metas concretas, financiamentos estruturados e a longo prazo e que tenham sistemas de monitorização e gestão de risco que respeitem a diversidade climática da Europa e assegurem a modernização dos sistemas de regadio em todo o continente.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

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