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Fenapecuária quer milho para silagem nos apoios à produção de cereais e defende descida urgente do preço da energia

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A direcção da Fenapecuária — Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários diz ser “notório que existe um afastamento e até desinteresse da realidade agrícola por parte de alguns partidos políticos, mas este facto não pode ser impeditivo de todos aqueles que fazem parte do sector trabalharem na sua defesa e promoção, com vista a aumentar o nosso grau de auto-aprovisionamento”. E é nesse sentido que “a Fenapecuária e os seus agricultores não aceitam que a ajuda à produção de milho não tenha âmbito nacional e não contemple o milho de silagem”.

Refira-se que o Ministério da Agricultura apresentou, recentemente, uma proposta de pagamento associado à produção de cereais, um apoio que varia entre os 100 a 280 euros por hectare, mas somente aplicável ao milho para grão e comercializado através de uma Organização de Produtores (OP). O objectivo então adiantado pelo Ministério para esta medida foi o de promover esta cultura e reduzir o alto deficit de cereais que Portugal apresenta.

Os custos fixos associados à energia (gasóleo e electricidade) têm que ser revistos em baixa urgentemente. É impossível para um empresário agrícola competir, por exemplo, no mercado ibérico, quando os custos de contexto associados são tão diferentes, prejudicando o sector nacional como um todo

A Federação, em representação dos seus associados, explica em comunicado que “sendo o milho um cereal essencial na alimentação animal, e considerando que devemos reduzir a nossa dependência do exterior, como aliás é o pressuposto da medida, não encontramos razões para que o “milho para silagem” não seja contemplado nessa futura ajuda”.

“Não percebemos e não iremos aceitar que se desenhe uma medida de apoio a uma cultura como o milho, quando deixa de fora a principal região produtora de milho do País. Esta medida, a ser executada com os pressupostos que se conhecem, será sempre encarada como um ataque a uma região, que não será tolerável”, salienta a Fenapecuária.

Aumento dos custos de produção

A Federação alerta ainda que os custos dos factores de produção têm vindo a aumentar, há um já longo período. “O sector precisa de estabilidade e previsibilidade. Nesse sentido, é importante que os preços das matérias-primas a nível internacional sirvam de indicador para, de alguma forma, servirem de referência para a política de preços dos produtos agrícolas”.

Nesse sentido, defende ser necessário que se crie “legislação que traga mais equidade e transparência em todos os elos da fileira agroalimentar. A tutela não se pode desresponsabilizar do seu papel e exercer o seu magistério de influência transversal para alcançar este objectivo”.

“O calendário agrícola é exigente e, nesta fase, obriga a muito investimento em energia. Os custos fixos associados à energia (gasóleo e electricidade) têm que ser revistos em baixa urgentemente. É impossível para um empresário agrícola competir, por exemplo, no mercado ibérico, quando os custos de contexto associados são tão diferentes, prejudicando o sector nacional como um todo”, acrescenta o mesmo comunicado.

Defesa da produção nacional

Por outro lado, a Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários considera que “o Estado deve, através dos Cadernos de Encargos das cantinas públicas, fomentar a aquisição da produção nacional e local. Desta forma estaremos a exercer os princípios da economia circular e a reduzir a pegada de carbono, por via da redução dos transportes”.

“Face ao momento difícil que o sector atravessa, quer pela crise pandémica, quer pela crise económica associada”, a Fenapecuária considera de “interesse nacional a tomada de um conjunto de medidas que mitiguem os efeitos nefastos sentidos pelos produtores. É inegável que o sector pecuário atravessa, nesta fase, tempos muito difíceis que tem gerado muita apreensão em todos os agentes do sector”.

E acrescenta que os organismos públicos ligados ao sector “devem estar ao serviço do sector pela positiva, e não como forças de bloqueio, como ultimamente tem acontecido, nomeadamente, com a alteração de regras a meio dos projectos de investimento do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) relativamente à posse do parcelário agrícola. O Ministério da Agricultura tem que encontrar uma solução urgente para desbloquear rapidamente esta entropia do sistema. Não pode ser o agricultor a ser penalizado, quando foi o único que cumpriu as regras”.

Aproveitamento político

Para a Federação a “agricultura portuguesa não pode ser posta em causa e muito menos desmantelada para aproveitamento político e oportunismo partidário, fundado em ideologias demagógicas contra o mundo rural, contra o sector agropecuário e, consequentemente, contra a economia nacional”.

A Fenapecuária garante que “estará sempre na defesa da produção pecuária e em defesa da produção nacional. Exigimos, da nossa tutela, um real empenho na defesa dos agricultores e das suas organizações, de forma justa, próxima e equitativa em todo território nacional”.

Agricultura e Mar Actual

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