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Fenalac alerta: preço do leite reflecte “aumento brutal dos custos de produção”

A direcção da Fenalac – Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite garante que os “preços dos produtos lácteos em Portugal reflectem aumento brutal dos custos de produção” e relembra que o preço do leite ao consumidor teve “10 anos de congelamento”. E lamenta que a ASAE — Autoridade de Segurança Alimentar e Económica “nada tenha sido feito nos anteriores 10 anos de evidentes preços reduzidos dos produtos lácteos, denunciado o provável incumprimento da lei que proíbe vendas abaixo do preço de aquisição”.

O presidente da Federação, Idalino Leão, realça que “este é um sector vital para a economia nacional, que fez um enorme esforço para conseguir estes equilíbrios que visam a sustentabilidade económica da fileira”.

“Recusamos de todo que sejam os agricultores a suportar os efeitos directos e indirectos da guerra e da inflação”

Em nota de imprensa, a Fenalac, salientando que “nos últimos dias tem sido amplamente divulgado nos meios de comunicação social o aumento dos preços dos bens alimentares essenciais em Portugal, a níveis superiores ao da inflação média mensal”, explica que “entre Janeiro de 2022 e Janeiro de 2023 o preço médio do leite ao produtor no continente aumentou para 0,58€/litro, representando uma variação de 60% (0.21€/litro)”. Leite que há pouco menos de um ano era pago pelo consumidor a 47 cêntimos por litro, nas marcas brancas, e que agora ronda os 90 cêntimos.

“Esta variação resulta do aumento brutal dos factores de produção, os quais desde o início de 2021 tem crescido exponencialmente, nomeadamente a energia (60%), os alimentos para animais (58%) e os fertilizantes (200%), rúbricas que representam cerca de 90% dos custos operacionais da actividade”, diz a direcção da Fenalac.

Por outro lado, refere a Federação que “cabe aos responsáveis governamentais a criação de condições que permitam atenuar os elevados preços dos alimentos, que apenas reflectem o brutal aumento de custos de produção”, relembrando que tem vindo a “apontar algumas soluções, que entendemos que devem ter uma acção concertada entre vários Ministérios do Governo, mas recusamos de todo que sejam os agricultores a suportar os efeitos directos e indirectos da guerra e da inflação”.

“Acreditamos que há ainda um caminho que deve ser percorrido de forma a mitigar os efeitos dos brutais aumentos dos custos de produção. Os custos fixos associados à energia (gasóleo e electricidade) e a isenção de IVA aplicável aos alimentos essenciais tal como sugere a Ordem dos Nutricionistas que subescrevemos”, adianta a mesma nota.

Preço pago ao produtor

A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite relembra ainda que apenas a partir de Abril de 2022 se iniciou a recuperação do preço do leite ao produtor, “não obstante o crescimento dos custos de produção ter começado no princípio de 2021”. “De acordo com o INE, o indicador de preço ao consumidor onde o leite está incluído estava em Março de 2022 ao mesmo nível do ano de 2012 (10 anos de congelamento), tendo desde essa altura aumentado cerca de 31%”.

“O crescimento do preço dos produtos lácteos ao consumidor reflecte, por isso, o aumento de custos na fileira, desde a produção até à industria e à distribuição”, frisa a Fenalac.

E assinala e saúda “as recentes acções da ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica] lamentando, no entanto, que nada tenha sido feito nos anteriores 10 anos de evidentes preços reduzidos dos produtos lácteos, denunciado o provável incumprimento da lei que proíbe vendas abaixo do preço de aquisição”. “Nesse período nada foi feito para defender o sector produtivo”.

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