Economia do Cavalo movimenta 2,7 mil M€ e sustenta mais de 90 mil empregos em Portugal

O sector equestre em Portugal revela-se um motor económico de grande relevância para o País, com um impacto total estimado em 2,73 mil milhões de euros por ano e a geração de 92.045 postos de trabalho. Os dados são divulgados no estudo “A Economia do Cavalo em Portugal”, apresentado no âmbito do Horse Economic Forum (HEF II), cuja segunda edição se iniciou hoje, em Alter do Chão.

O estudo do impacto da fileira equestre na Economia Nacional, aponta para um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 617 milhões de euros gerados pelo sector equestre. A fileira do cavalo estende-se muito para além da criação e treino de equinos, integrando actividades como turismo, eventos, serviços veterinários especializados, terapias assistidas, acontecimentos desportivos, etc., refere um comunicado de imprensa da organização do Horse Economic Forum.

O sector contribui directamente com 1,52 mil milhões de euros de volume de negócios e emprega, de forma directa, 57.528 pessoas – sobretudo em zonas de baixa densidade. Os números disponíveis sobre as exportações indicam que Portugal é também um exportador líquido de cavalos: Em 2023 as exportações representaram cerca de 9,38 milhões de euros.

A nível local, Alter do Chão, território histórico da Coudelaria Alter Real e do Cavalo Lusitano, beneficia de forma particularmente expressiva deste dinamismo. A região reforça a sua atractividade económica e turística com mais de 100 mil visitantes por ano motivadas pelo cavalo Alter Real e pelas actividades equestres, gerando receitas directas superiores a 28 milhões de euros, acrescenta o mesmo comunicado.

O estudo sublinha ainda a importância estratégica do turismo equestre nacional, alimentado por 88% de turistas estrangeiros e valorizado pelo recente reconhecimento da arte equestre portuguesa como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO (2024). Esta distinção posiciona Portugal como destino diferenciado de turismo de natureza, tradição e autenticidade, que move anualmente cerca de 115.500 turistas e gera uma receita directa estimada de 28,9 milhões de euros.

“Este relatório confirma o que em Alter do Chão sempre soubemos: o cavalo não é apenas uma herança, é um activo económico, social e turístico de primeira ordem”, sublinha Francisco Miranda, presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão. “O sector equestre tem impacto transversal e é gerador de valor em múltiplas áreas da economia portuguesa. Com o HEF II demonstra-se que estamos perante um recurso com enorme potencial estratégico”, reforça.

Por sua vez, Alexandre Real, responsável da organização evento, realça “o crescimento da segunda edição do HEF, com mais nacionalidades presentes, mais participantes e maior impacto no sector equestre na promoção da sustentabilidade e do bem-estar animal. Ao nível internacional esta edição reforçou o seu posicionamento e parceria com a Federação Equestre Internacional e com a Federação Equestre Europeia. O Horse Economic Forum nesta edição teve a ousadia e a inovação de pela primeira vez quantificar e qualificar o quanto vale a fileira equestre em Portugal”.

“Apesar das debilidades financeiras de parte do tecido empresarial, os dados confirmam que a economia do cavalo tem condições para atrair investimento e crescer com sustentabilidade”, conclui o professor Álvaro Lopes Dias, coordenador do estudo.

Agenda Estratégica nacional

O estudo propõe a criação de uma Agenda Estratégica nacional que alinhe prioridades para o desenvolvimento integrado da fileira equestre e da promoção da “Economia do Cavalo”. Defende também o reforço da promoção internacional do cavalo Lusitano, valorizando a sua notoriedade e prestígio como embaixador cultural de Portugal.

Entre as medidas recomendadas, destacam-se os incentivos à inovação tecnológica, à digitalização dos serviços e à qualificação dos recursos humanos. Finalmente, sublinha-se a importância de articular e coordenar políticas públicas, investimento privado e iniciativas locais, com vista à coesão territorial e à revitalização das zonas rurais.

O estudo “A Economia do Cavalo em Portugal” foi realizado ao abrigo dos objectivos do Horse Economic Forum pela Consultora SFORI e coordenado pelo professor Álvaro Lopes Dias, com base em dados recentes e recorrendo a um modelo de análise mista com estimativas directas, indirectas e induzidas, e recurso a benchmarks internacionais.

Caderno do Investidor Equestre

O Horse Economic Forum será também palco para a apresentação do inédito Caderno do Investidor Equestre, um documento estratégico que evidencia o potencial do concelho de Alter do Chão como território de excelência para o investimento no sector do cavalo. Reunindo dados económicos, sociais e territoriais, bem como exemplos concretos de sucesso e oportunidades emergentes, este caderno constitui uma ferramenta prática e inspiradora para investidores, empreendedores e decisores que procuram integrar um ecossistema onde tradição, inovação e sustentabilidade se cruzam de forma única.

No seguimento do seu compromisso na adopção dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas para promover a sustentabilidade global até 2030, HEF II foi organizado como evento de carbono negativo, reconhecido através do Selo Sustentável, que certifica o empenho do Fórum com a adopção de práticas ambientalmente responsáveis, de avaliação do seu impacto ambiental e implementação de medidas concretas de compensação.

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