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DGAV divulga Plano de Contingência para controlo da doença de Citrus Greening

A DGAV – Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária acaba de divulgar o Plano de Contingência para controlo dos agentes causais da doença de Citrus Greening. O Plano tem como objectivo estabelecer procedimentos com vista a garantir uma rápida e eficaz resposta em caso de detecção da doença de Citrus Greening em Portugal e controlo dos insectos vectores.

O insecto vector está presente na Madeira e nas Canárias. Em Dezembro de 2014, a Espanha notificou a primeira detecção de Trioza erytreae no seu território continental, região da Galiza. A sua presença já foi detectada em citrinos isolados de jardins particulares na área do Grande Porto.

São objectivos primordiais deste Plano de Contingência, o reforço da prospecção dos vectores tidos como inexistentes em todo o território e de Trioza erytreae nas zonas livres, a detecção precoce da doença à escala nacional, quer em plantas hospedeiras, quer nos exemplares de Trioza erytreae ou outros vectores capturados, e a definição das medidas fitossanitárias a aplicar com vista à erradicação da doença em caso da sua detecção.

Para o efeito, o Plano indica a base legal e o grau de responsabilidade e competência das várias entidades intervenientes, dá a conhecer com detalhe as características do organismo prejudicial, estabelecem-se os procedimentos para sua prospecção, identificam-se os meios de detecção e diagnóstico e determinam-se as acções a levar a cabo em caso de suspeita e/ou confirmação da presença da bactéria com vista à sua erradicação.

Paralelamente, dá igual ênfase à formação, divulgação e sensibilização, junto quer dos técnicos oficiais quer dos operadores económicos, à partilha de informação e à rapidez na comunicação.

Uma das mais graves doenças dos citrinos

A doença vulgarmente conhecida como Huanglongbing (HLB), ou ainda por Citrus Greening, é uma das mais graves e destrutivas doenças dos citrinos, responsável por sérias quebras de produção em inúmeros países dos continentes africano, asiático e, mais recentemente, também no continente americano. Trata-se de uma doença fatal, para a qual não existe actualmente cura, e, uma vez a planta infectada, produz frutos amargos, rijos, disformes, incomestíveis, acabando por morrer poucos anos após a infecção, refere o Plano.

Não estando a doença referenciada como ocorrendo na Europa, as bactérias Candidatus Liberibacter asiaticus (Las), Candidatus Liberibacter africanus (Laf) e Candidatus Liberibacter americanus (Lam), seus agentes causais, constam da Lista A1 da OEPP e são consideradas de quarentena na União Europeia estando listadas no Anexo IAI da Directiva 2000/29/CE do Conselho, de 8 de MNaio e, consequentemente, na sua transposição para a legislação nacional através do Decreto-Lei nº 154/2005 de 6 de Setembro, com última actualização pelo Decreto-Lei nº 170/2014 de 7 de Novembro.

Transmissível por enxertia

Estas bactérias são transmissíveis através de enxertia, o que reforça a necessidade de recorrer exclusivamente a material de propagação comprovadamente são, mas a principal forma de dispersão natural da doença é através dos seus insectos vectores, nomeadamente Diaphorina citri Kuwayama 1908 e Trioza erytreae (Del Guercio 1918).

“Se a Diaphorira citri parece ter a sua dispersão geográfica, por enquanto, confinada aos continentes americano e asiático, já a situação relativa a Trioza erytreae se afigura mais preocupante”, alerta o Plano. E adianta que este insecto está presente no arquipélago da Madeira (primeiro registo em 1994) e nas Ilhas Canárias (desde 2002) e foi sendo alvo de medidas fitossanitárias específicas com o intuito de evitar a sua dispersão a outras áreas livres na União Europeia.

Contudo, em Dezembro de 2014, a Espanha notificou a primeira detecção de Trioza erytreae no seu território continental, região da Galiza, com vários focos na zona de Pontevedra. Na sequência dessa notificação e dada a proximidade de tais focos com o Norte de Portugal, implementou-se uma vigilância suplementar particularmente dirigida àquela região, tendo vindo a detectar-se, em Janeiro de 2015, a presença do insecto em citrinos isolados de jardins particulares na área do Grande Porto. Procedeuse a uma prospecção exaustiva e alargada, com particular enfoque nos concelhos a Norte daquela zona, com o objectivo de avaliar a eventual dispersão a partir da Galiza.

Verificou-se na altura que as detecções se circunscreviam à área metropolitana do Porto, tendo sido demarcada uma zona para efeitos da aplicação de medidas fitossanitárias, entretanto sujeita a actualizações na sequência da progressão natural do insecto que, apesar das medidas em curso, não se tem revelado possível travar plenamente.

Em complemento, com o intuito de determinar a eventual introdução/dispersão da doença nas áreas infestadas, deu-se início a colheita de amostras de material vegetal nos locais onde foi detectada a presença da Trioza erytreae para despistagem do grupo de bactérias Las, Laf e Lam.

citrus-greening-02Algarve em risco

As medidas fitossanitárias em curso para controlo da Trioza erytreae visam reduzir a pressão de infestação nas zonas afectadas ao mesmo tempo que se previne a dispersão do vector para novas áreas, preocupação acrescida nas regiões onde se encontram viveiros e naquelas a Sul do País, produtoras de citrinos. Em paralelo será feita a prevenção de uma eventual introdução e dispersão acelerada da bactéria. Incluem uma prospecção reforçada de Trioza erytreae nas zonas livres de grande parte do território continental, tendo em vista a detecção precoce de um qualquer novo foco, tornando assim viável a sua erradicação.

Quanto à doença propriamente dita, diz o Plano que em Outubro de 2015, no Algarve, a quase 500 km de distância da presença conhecida do vector em Portugal, no decurso de uma inspecção fitossanitária a um pomar de citrinos localizado perto de Silves onde fora assinalada sintomatologia suspeita, procedeu-se à colheita de várias amostras de material vegetal para análise laboratorial e, numa delas, os métodos laboratoriais adoptados conduziram a um resultado positivo para Candidatus Liberibacter asiaticus.

“Considerando a região algarvia como a mais importante do País no que respeita à área de citrinos, cerca de 15000 ha, com uma elevada concentração na zona de Silves, face à relevância da cultura e tendo em conta a perigosidade da doença e dos riscos a ela associados, foram, perante a suspeita do foco de infecção assinalado, reforçadas todas as acções com vista à eventual detecção de Las e dos seus vectores por forma a se tentar clarificar a origem daquela ocorrência, delimitar o foco, limitar a possível dispersão da doença e proceder à erradicação daquele e de outros focos que viessem a ser confirmados, tendo como objectivo primordial proteger a produção nacional de citrinos deste gravíssimo problema fitossanitário”, realça aquele documento.

Como medida de precaução máxima, todas as plantas de citrinos do referido pomar foram arrancadas e o material vegetal destruído no local. Num raio de aproximadamente 1 km, foram inspeccionadas todas as parcelas com citrinos, colhido material vegetal para análise e colocadas placas cromotrópicas renovadas a cada duas semanas para identificação das pragas existentes. Fora desse alcance mas ainda nas proximidades, até cerca de 4 km, foram exaustivamente inspeccionados os 3 viveiros existentes produtores de plantas de citrinos. Até à data da publicação deste Plano, nenhuma análise resultou na presença da bactéria nem foram identificados insectos vectores na região.

A ocorrência foi assim considerada como não confirmada.

“Não obstante, o risco de dispersão da doença no País caso se verifique a introdução de material infectado, aumentou consideravelmente na sequência da entrada já mencionada de um dos seus principais vectores, a psila africana, Trioza erytreae, nas regiões Norte de Portugal e Espanha continentais. Pese embora as medidas levadas a cabo com o intuito de tentar erradicar ou, se não for possível, conter o vector, as consequências que adviriam da introdução do Citrus Greening tornam premente o estabelecimento, desde já, de um Plano de Contingência, com vista a garantir uma rápida e eficaz resposta em caso de detecção, não só da doença mas igualmente de outros vectores, nomeadamente o insecto Diaphorina citri, ainda não detectado na União Europeia”, pode ler-se no Plano agora publicado.

Pode consultar o documento aqui.

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