A artista Cristina Ataíde é a autora seleccionada para criar a escultura pública que irá homenagear os produtores de leite açorianos, uma iniciativa integrada na programação oficial de Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026 (PDL26), em parceria com a Bel Portugal.
O anúncio foi feito no passado sábado, dia 18 de Outubro, durante a conferência “Cultura, Educação e Território no Lugar do Amanhã”, no Auditório Luís de Camões do Conservatório Regional de Ponta Delgada, naquele que “foi um espaço de encontro, reflexão e debate sobre o papel da cultura e da educação como pilares do desenvolvimento do território”, refere uma nota de imprensa conjunta da Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026 e da Bel Portugal.
A escolha de Cristina Ataíde resultou de um concurso com a curadoria de José Maçãs de Carvalho, curador de artes visuais de Ponta Delgada 2026, que reuniu quatro artistas – Cristina Ataíde, Marcelo Moscheta, João Miguel Ramos e Sofia de Medeiros – convidados a desenvolver propostas originais para a escultura.
Cristina Ataíde, artista seleccionada, afirmou no momento do anúncio ser “uma enorme honra poder criar uma obra que nasce da terra e fala sobre ela, sobre quem a trabalha e sobre o equilíbrio entre natureza e humanidade. Quero que esta peça pertença ao lugar, que seja um convite à contemplação e à comunhão com o território açoriano”.
O júri multidisciplinar, composto por representantes da Capital Portuguesa da Cultura, do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas da Ribeira Grande e da Bel Portugal, destacou a proposta de Cristina Ataíde pela sua coerência com a intenção comemorativa do projecto, o rigor formal, a força poética e a capacidade evocativa da obra, reconhecendo ainda a singularidade da artista e a sua contribuição para o enriquecimento da paisagem artística insular.
José Maçãs de Carvalho, curador de artes visuais de Ponta Delgada 2026, sublinha: “as obras escultóricas de Cristina Ataíde transportam uma sensação de leveza e não-gravidade, conjugando uma visualidade geométrica com uma sofisticada economia de meios. Há sempre um apelo, nas suas obras, à inclusão do espectador na activação da peça. Esta proposta, pela sua coerência e sensibilidade, reflecte plenamente o espírito desta homenagem e o diálogo entre arte, território e comunidade que Ponta Delgada 2026 pretende promover”.
A escultura será instalada em Ponta Delgada, em Março de 2026, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Agricultura, como tributo simbólico aos produtores de leite açorianos, aos animais e à ligação à terra — os pilares do Programa Leite de Vacas Felizes, que completa 10 anos de existência.
Para Katia Guerreiro, Comissária da PDL26, “a escolha de Cristina Ataíde representa a união entre arte e território. A sua obra traduz a leveza, a força poética e o respeito pela natureza que identificamos como essência dos Açores e do tema ‘O Lugar do Amanhã’”.
Já para Paula Amaral, Responsável de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Bel Portugal refere que “esta obra é uma homenagem a quem dá sentido ao Programa Leite de Vacas Felizes – os produtores açorianos. É com enorme orgulho que vemos esta colaboração com Ponta Delgada 2026 transformar-se numa expressão artística que liga cultura, sustentabilidade e reconhecimento”.
Cristina Ataíde
Cristina Ataíde (Viseu,1951) vive em Carnaxide, concelho de Oeiras e trabalha em Lisboa. Licenciada em Escultura pela ESBAL, Lisboa. Frequentou o Curso de Design de Equipamento da ESBAL, Lisboa. Foi directora de produção de Escultura e Design da Madein, Alenquer de 1987 a 1996 onde trabalhou com Anish Kapoor, Michelangelo Pistolleto, Keit Sonnier, Matt Mullican, entre outros.
Professora convidada da Universidade Lusófona em Lisboa de 1997 a 2012. Expõe com regularidade desde 1984 e as grandes instalações e o site-specific, ocupam um importante lugar nas suas mostras. A sua obra, feita muitas vezes em viagem, transita entre a escultura e o desenho passando pela fotografia e vídeo.
As preocupações com natureza e sua preservação é uma das constantes do seu trabalho e pesquisa. É representada pelas galerias: Galeria Belo-Galsterer, Lisboa; Andrea Rehder, Arte Contemporânea, São Paulo | BR; Galeria Ybakatu, Curitiba | BR; Galeria Quatto, Leiria; Galeria Magda Bellotti, Madrid | ES.
A sua obra está representada em inúmeras colecções de arte, como por exemplo: Colecção Centro de Arte Modena, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Colecção da Caixa Geral de Depósitos, Culturgest, Lisboa; Colecção António Cachola, Elvas; Colecção da Fundação PLMJ, Lisboa; Colecção Fundação Carmona e Costa, Lisboa; Colecção do Museo de Arte Contemporáneo Unión Fenosa, La Coruña, Espanha; Colecção do Centre d’Art Contemporain d’Essaouira, Maroc; Colecção da Maison de l’Art Contemporain, Asilah, Maroc; Biblioteca do Vaticano, Roma entre outras.
Agricultura e Mar
AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
