O consumo aparente de fertilizantes, expresso em macronutrientes Azoto (N), Fósforo (P2 O5 ) e Potássio (K2 O), atingiu em 2024 as 187 mil toneladas (161 mil toneladas em 2023), reflectindo um acréscimo de 16,6% face ao ano anterior, refere a edição de 2024 das “Estatísticas Agrícolas” do Instituto Nacional de Estatística (INE).
A tendência e a magnitude do resultado de 2024, são “parcialmente explicadas pelo comportamento do consumo de fertilizantes nos anos anteriores. O ano de 2022 tinha sido marcado por uma redução significativa no consumo de fertilizantes (-32,9% face a 2021), como reflexo do aumento do preço destes produtos (+89,8%, face a 2021). Em 2023, este consumo recuperou (+34,1% face a 2022), mas ficou ainda abaixo (-10,0%) do consumo apurado em 2021, que em termos de série cronológica pode ser considerado como um ano de consumo normal”, explicam os técnicos do INE.
Neste contexto, as 187 mil toneladas apuradas em 2024, reflectem um acréscimo de 4,9% face a 2021, ainda assim representa um máximo dos últimos oito anos.
O azoto é o macronutriente predominante no consumo aparente dos fertilizantes com 50,9% em 2024 (53,9% em 2023), seguido do potássio com 26,7% (25,7% em 2023) e por último do fósforo com 22,4% (20,4% em 2023).
Entre 2017 e 2024, o consumo aparente de fertilizantes aumentou a uma taxa média anual de 1,0%. Para o mesmo período, a aplicação de azoto diminuiu (-0,8%), enquanto a utilização de fósforo e potássio cresceu, respectivamente, a um ritmo médio anual de 0,3% e 6,0%.
“Estas variações médias anuais dos macronutrientes não são alheias às alterações do quadro de utilização das terras nos últimos 20 anos. Em 2003 a área de culturas permanentes totalizava 683 mil ha e era a terceira principal composição da SAU, sendo as terras aráveis a principal. Vinte anos volvidos, a área de culturas permanentes cresceu para 890 mil ha, passando a representar a segunda principal composição da SAU, com as terras aráveis a posicionaram-se em terceiro lugar. As pastagens permanentes passaram da segunda maior área de SAU para constituírem a principal ocupação com mais de 50% da SAU”, acrescentam.
O acréscimo de área das culturas permanentes resulta sobretudo do aumento de área de olival intensivo e de amendoal, cujas novas plantações necessitam de fósforo e de potássio na fertilização de fundo. Ainda relativamente ao potássio, nas novas plantações intensivas destas culturas a aplicação deste macronutriente é habitualmente efectuada durante o ciclo anual da planta, porque reduz a mortalidade dos botões.
A evolução do consumo aparente dos fertilizantes inorgânicos entre 2021 e 2024 é maioritariamente justificada pelos preços dos fertilizantes. Em 2022, o índice de preços dos fertilizantes e correctivos aumentou 89,8% e o consumo aparente destes produtos reduziu-se em 32,9%. Em 2023, o índice de preços baixou 24,8% enquanto o consumo aparente aumentava 34,1%. No ano de 2024 o índice de preços baixou 18,3% e o consumo aparente aumentou 15,1%.
Pode ler a edição de 2024 das “Estatísticas Agrícolas” aqui.
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