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Como prevenir a introdução da Aromia bungii no País? Saiba tudo no Plano de Contingência da praga que ataca o género Prunus

A DGAV — Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária acaba de divulgar o Plano de Contingência da praga de quarentena prioritária Aromia bungii, que visa definir as acções para prevenir a introdução desta praga no território nacional, e estabelece as medidas fitossanitárias necessárias para a sua erradicação, no caso de ser detectado um surto, impedindo-se a sua disseminação.

Este cerambicídeo (conhecido por cerambicídeo de caroço), é considerado uma praga extremamente perigosa para as espécies frutícolas do género Prunus, sendo capaz de causar elevados prejuízos em pessegueiros e damasqueiros, e podendo ser considerada grave para ameixeiras e cerejeiras. “O seu impacto, sobretudo em pomares, é inaceitável a nível económico, ambiental ou social, pelo que a sua introdução e disseminação no território da União Europeia são proibidas”, realça a DGAV.

O plano fornece orientações específicas sobre: disposições legais relativas ao organismo especificado; informação sobre o mesmo, nomeadamente, origem e distribuição, biologia e ciclo de vida, sintomas e prejuízos, meios de introdução e disseminação, controlo da praga; organização e responsabilidade dos vários intervenientes no plano; factores relevantes para a prevenção, detecção; medidas oficiais de contenção e erradicação.

Actualmente, a Aromia bungii é considerada uma praga de enorme relevância, sobretudo para os países do Sul da região da OEPP, uma vez que aí não existem limitações relativas ao clima, existe abundância de plantas de Prunus espalhadas por uma grande área, e não existem limitações ao seu estabelecimento.

Programa de prospecção para Aromia bungii

O objectivo do programa de prospecção para Aromia bungii, consiste em implementar um programa de vigilância fitossanitária no território nacional, que permita prevenir a introdução, e evitar a disseminação desta praga.

A prospecção deverá ser realizada anualmente, e deverá incidir particularmente sobre:

Plantas hospedeiras de A. bungii para plantação (excepto sementes): pode-se encontrar a presença de ovos em fendas na casca do tronco, bem como larvas e pupas no tronco ou nos ramos. Também se considera como via de entrada os porta-enxertos e bonsais de espécies hospedeiras;

Madeira e produtos de madeira de plantas hospedeiras de A. bungii: qualquer madeira ou produtos de madeira de Prunus spp. que sejam suficientemente grandes para permitir o ciclo de vida da praga até a emergência do adulto, e que não tenha sido tratada por calor para destruir a praga especificada. Os ovos podem estar presentes no córtex, e as larvas e pupas podem ser encontradas na madeira, podendo qualquer uma destas formas da praga sobreviver em madeira cortada, ou em material de embalagem de madeira;

e, nos seguintes locais de risco:
• Viveiros e centros de jardinagem que recebem plantas de Prunus spp. de países onde a praga está presente;

• Serrações e indústrias de processamento de madeira, que recebem madeira de Prunus spp. de países onde a praga está presente;

• Plantações de Prunus spp. perto de locais de risco de entrada de A. bungii;

• Parques e jardins com presença de Prunus spp. perto dos locais de risco de entrada de A. bungii;

• Madeira ou produtos embalados com madeira de Prunus spp. provenientes de países onde a praga está presente.

Impacto económico

O impacto económico desta praga faz-se sentir sobretudo em pomares, sendo considerada muito destrutiva em pessegueiros e damasqueiros, podendo ser considerada grave em ameixeiras e cerejeiras, realça o Plano de Contingência da praga de quarentena prioritária Aromia bungii.

As larvas de Aromia bungii podem causar prejuízos consideráveis, uma vez que ao perfurarem a madeira logo após a eclosão, e ao produzirem galerias nos ramos e no tronco, nomeadamente na zona do câmbio, interrompem a circulação da seiva, matando os tecidos associados, enfraquecendo a árvore e reduzindo a produção de frutos. Aliás, infestações severas, podem mesmo conduzir à morte das árvores.

Em Itália, constatou-se que plantas jovens, de 1 a 2 anos, nunca foram infestadas, tendo as infestações ocorrido sempre em plantas acima de 3 anos de idade, o que está em consonância com trabalhos científicos recentes, produzidos nas áreas de origem do insecto. Em Itália, num período entre 3 a 4 anos, assistiu-se à destruição de pomares de Prunus spp. com 20 a 30 anos, avança o mesmo documento.

Galho morto de pessegueiro atacado por Aromia bungii. Foto: Tim Haye/EPPO

Controlo difícil

Explica o Plano de Contingência que o controlo é difícil porque a larva penetra rapidamente na casca das árvores, e o seu controlo só é possível com insecticidas sistémicos, estando a decorrer estudos de eficácia. Assim, as principais medidas de controlo passam por medidas profilácticas, como a destruição e remoção de árvores infestadas e potencialmente infestadas, utilização de nemátodes entomopatogénicos (Steinernema carpocapsae), utilização de cairomonas, parasitóides e predadores.

Foram também utilizadas armadilhas atractivas usando garrafas com líquidos fermentados à base de sumos de fruta e vinagre, mas a sua eficácia foi relatada como muito baixa.

Em Itália, onde a praga está presente há vários anos, está a ser feita a monitorização intensiva das zonas infestadas, tendo sido estabelecida uma zona tampão à volta da zona infestada, efectuadas observações na zona demarcada (ZI+ZT), e tendo sido tomadas medidas fitossanitárias com vista à erradicação, e, caso não seja conseguida, à contenção da dispersão.

Nativa do Este e Sudoeste asiático

A Aromia bungii é nativa do Este e Sudoeste asiático. Actualmente encontra-se presente no continente Asiático (China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Mongólia e Vietname). Também foi relatada como presente, em áreas da Rússia perto da fronteira com a Mongólia; no Japão encontra-se presente com distribuição restrita (1.ª detecção em 2013 e posteriormente em 2019, em cerejeiras).

Nos Estados Unidos encontra-se ausente, tendo ocorrido a intercepção de uma fêmea adulta num navio no porto de Seattle após trocas comerciais com a China e Taiwan (2009) e em contentores de carga em 2014.

Na Europa a primeira detecção ocorreu no Reino Unido (2008), tendo sido interceptados 3 adultos em paletes de madeira num armazém em Bristol.

Ausente da quase totalidade do território, encontra-se presente com distribuição restrita em Itália onde a sua presença foi registada pela primeira vez em 2012 na região da Campânia em parques, jardins e pomares, em ameixeiras e damasqueiros, desenvolvendo-se esforços para a sua erradicação.

Em 2013 surge na Lombardia em pessegueiros, encontrando-se o foco em erradicação, e em 2017 surge novo foco na zona da Lombardia, em damasqueiros e ameixeiras, estando também em erradicação. Na Alemanha está também presente, poucas ocorrências, tendo sido detectado em 2011 num jardim privado numa ameixeira velha, e em 2016 de novo num jardim privado em ameixeiras, encontrando-se ambos os focos sob erradicação.

Pode ler o Plano de Contingência da praga de quarentena prioritária Aromia bungii completo aqui.

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