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Colheita de cereais praganosos chega às 193,6 mil toneladas, a terceira mais baixa de sempre

A colheita dos cereais praganosos (trigo mole, trigo duro, centeio, cevada, aveia, triticale), em 2017, decorreu com normalidade, verificando-se o decréscimo generalizado da produção, que globalmente alcançou as 193,6 mil toneladas, a terceira mais baixa de sempre, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) na edição de 2017 das “Estatísticas Agrícolas”.

Acrescentam os técnicos do INE que a escassa precipitação permitiu que a realização das sementeiras dos cereais de Outono/Inverno decorresse em condições normais. No entanto, a superfície instalada rondou os 121,1 mil hectares, a mais baixa desde que existem registos estatísticos sistematizados, tendo contribuído para esta situação o desinteresse por estas commodities face aos baixos preços nos mercados internacionais e às baixas produtividades.

Falta de chuvas na Primavera prejudica qualidade

A germinação foi boa, apresentando as searas povoamentos homogéneos e bom desenvolvimento vegetativo, mas a ausência de chuvas na Primavera, associada às elevadas temperaturas, afectou o desenvolvimento dos cereais nas fases de floração e início de formação do grão (grão leitoso), antecipando o ciclo vegetativo e prejudicando a qualidade.

O ano agrícola 2016/2017 em Portugal continental caracterizou-se, em termos climatéricos, pelo registo de valores de precipitação abaixo do normal e temperaturas superiores à média do período 1971-2000 (2017 foi o terceiro ano mais seco e o segundo ano mais quente desde 1931).

Outono quente e seco

O Outono classificou-se como quente e seco, permitindo a realização dos trabalhos agrícolas da época, nomeadamente a preparação dos terrenos para a instalação das culturas invernais, a conclusão das colheitas do milho e do arroz, a apanha da azeitona e da castanha e a poda das vinhas e de outras culturas permanentes.

A escassa precipitação manteve-se no Inverno: no final de Dezembro, 78% do território estava em seca meteorológica fraca, agravando-se no final de Janeiro para os 95%, com 3% do território já em seca moderada.

Em Fevereiro registou-se uma melhoria significativa desta situação, ficando apenas 57% do território em seca fraca. Não se registaram dificuldades significativas na conclusão das sementeiras dos cereais de inverno em condições agronomicamente aceitáveis, salienta o INE.

Primavera foi a terceira mais quente desde 1931

A Primavera foi a terceira mais quente desde 1931 e registou valores de precipitação 25% abaixo da normal. Este cenário permitiu a realização sem incidentes dos trabalhos agrícolas da época, nomeadamente a instalação das culturas de Primavera/Verão, o corte e armazenamento de fenos e silagens e os tratamentos fitossanitários de carácter preventivo.

No entanto, condicionou o desenvolvimento das culturas de sequeiro e contribuiu para a diminuição do nível de armazenamento de água na maioria das bacias hidrográficas, o que obrigou ao ajustamento das áreas planeadas para as culturas de Primavera/Verão.

Secagem completa de charcas

O verão de 2017 foi o sexto mais quente e o terceiro mais seco desde 2000, sendo classificado meteorologicamente como quente e extremamente seco. Ao longo deste período foi frequente a secagem completa de charcas e a acentuada diminuição do nível dos lençóis freáticos dos furos e poços, com implicações na capacidade de satisfazer as necessidades hídricas das culturas e na disponibilidade de água para abeberamento dos efectivos.

As áreas de pastagem de sequeiro, semeadas e espontâneas, registaram um desenvolvimento inicial normal, tendo beneficiado da precipitação do início de Outono e da disponibilidade hídrica e temperaturas amenas do Inverno.

Com o começo da Primavera o cenário alterou-se radicalmente, em particular devido à conjugação do aumento das temperaturas com a fraca precipitação, situação que desencadeou a antecipação da conclusão do ciclo vegetativo, com reduções evidentes da produção de matéria verde.

Desvio para a produção de forragem/silagem

Esta situação encurtou o período de disponibilidade forrageira das pastagens, obrigando à utilização precoce de alimentos conservados (fenos e silagens), normalmente reservados para o período invernal, de paragem ou menor desenvolvimento vegetativo das pastagens.

O aumento da procura destes alimentos teve como consequência o desvio para a produção de forragem/silagem de culturas que tinham como objectivo inicial a produção de grão.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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