As direcções da CNA — Confederação Nacional da Agricultura e da Avadouriense — Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense consideram que o anúncio do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) de um novo corte no quantitativo do vinho a beneficiar para as 75 mil pipas, menos 15 mil pipas que em 2024 (menos 17%), e menos 43 mil pipas que em 2022 (menos 36%), “agrava a crise na Região Demarcada do Douro (RDD)”.
“Sobretudo para os pequenos e médios viticultores, este corte significa mais uma machadada nos seus rendimentos, levando a situação desesperada de muitos produtores para lá do suportável. Este corte dá-se depois de grandes operadores da região terem enviado cartas aos viticultores avisando que não receberão as uvas, num contexto em que se mantém a prática injusta que faz com que muitos viticultores entreguem as uvas sem saberem quanto vão receber por elas, quando a situação de muitas adegas é de crise acentuada e de falta de capacidade de armazenamento e no decorrer de uma campanha com custos de produção acrescidos”, avança uma nota de imprensa conjunta das duas organizações.
A CNA e a Avadouriense “reafirmam a rejeição deste corte que afecta os cerca de 20 mil viticultores da região. Toda a situação põe em evidência o desastroso resultado da política que continua a favorecer o desequilíbrio de poder de mercado na RDD entre a produção, a transformação e o comércio, sempre em prejuízo dos produtores e que só favorece a concentração de terras e da produção nas mãos das grandes casas comercializadoras e exportadoras”.
“É esta mesma política que permite que os viticultores continuem a receber pelas uvas o mesmo preço que há 25 anos, enquanto os custos de produção tiveram subidas vertiginosas”. Confirma também “a necessidade de, para além de apoios urgentes, serem tomadas medidas de carácter estrutural na RDD, tal como os viticultores têm reclamado e continuarão a reclamar, junto do IVDP, do Ministério da Agricultura e do primeiro-ministro”, acrescenta a mesma nota.
A CNA sublinha que “este corte impõe de forma mais aguda a tomada de medidas imediatas que compensem os produtores pela perda de rendimento nesta vindima, direccionando-as sobretudo para os pequenos e médios viticultores, de forma desburocratizada e com dotações suficientes”.
Os viticultores “rejeitam liminarmente o arranque da vinha. Isso é mais do mesmo: empurrar os pequenos e médios viticultores para o abandono, desertificando e empobrecendo ainda mais a região, descaracterizando-a e pondo em risco o seu elevado valor económico, social e cultural”.
Assim, aquelas duas organizações reafirmam o seu “compromisso com os viticultores durienses na exigência da saída da crise, pelo escoamento das uvas a preços justos, por rendimentos dignos, por uma Região viva e com futuro. Não deixaremos de tomar as iniciativas necessárias para prosseguir esta justa luta”.
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