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Cinco sectores representados na estreia da AEP no Azerbaijão

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A primeira missão comercial ao Azerbaijão organizada pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), em que participam cinco empresas, de outros tantos sectores, partiu este domingo, 15 de Maio, para Baku. Até ao próximo sábado, os empresários e gestores que integram a comitiva contactarão com potenciais parceiros e visitarão duas das maiores feiras de negócios que anualmente se realizam na capital azeri.

Apesar de incipientes, as relações comerciais entre os dois países têm um “potencial de crescimento assinalável”, adianta Mónica Moreira, directora da AEP Internacionalização, estrutura que operacionaliza o programa associativo de internacionalização “Business on the way”, em que se insere esta missão empresarial. As oportunidades, acrescenta, decorrem da “crescente europeização” da sociedade azeri e das necessidades de consumo do mercado interno, com menos de 10 milhões de pessoas e em boa parte coincidentes com a oferta portuguesa, nomeadamente em matéria de produtos alimentares, como o leite e derivados, medicamentos, tubos de ferro e aço e peças para maquinaria. Apesar disso, apenas 77 empresas lusas venderam para o mercado azeri em 2014, mais 20 do que em 2013.

Trata-se, segundo aquela responsável da AEP, de uma economia aberta e “à medida de muitas indústrias portuguesas”, em especial das que têm “vocação exportadora e estão atentas às oportunidades que se estão a surgir no Sudoeste Asiático e nos países da Comunidade dos Estados Independentes”, atendendo ao relacionamento político e à charneira geográfica do Azerbaijão, na fronteira Leste da Europa.

Mónica Moreira destaca ainda os muitos projectos que o país concretizou nos últimos anos e tem em curso com o apoio de organizações multilaterais, como o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) ou o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD). “Estudámos o mercado e sinalizamos oportunidades para as empresas portuguesas que operam nos sectores dos materiais de construção, engenharia e infra-estruturas, mobiliário e artigos de decoração, celulose e papel, indústria farmacêutica, máquinas para a indústria, agro-alimentar e têxteis e calçado”, refere.

Esse investimento da AEP na aproximação e conhecimento do mercado azeri encontrou eco nas empresas Dune Bleue (artigos têxteis), Manuel Machado Sousa (vestuário), Novarroz (alimentação), Sublimérito (consultoria e engenharia) e Tecnobento (maquinaria para as indústrias alimentares).

Em Baku, os seus representantes ficarão a conhecer a realidade sócio-económica do país, terão reuniões de negócios com potenciais parceiros comerciais e visitarão as principais feiras da fileira agro-alimentar da região caucasiana: a Caspian Agro e a WorldFood Azerbaijan, que são inauguradas na quinta-feira e decorrerão em simultâneo. Na véspera, os empresários e gestores portugueses foram convidados a acompanhar o 2.º Fórum Empresarial UE-Azerbaijão, iniciativa do Ministério da Economia azeri para a o reforço das relações com os 28 países do maior mercado económico mundial.

Um país que procura projecção mundial
Segundo dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep Portugal Global), as exportações portuguesas para o Azerbaijão ficaram-se pelos 7,3 milhões de euros no ano passado, o que traduz uma evolução de 49,2% relativamente a 2014. Em sentido inverso, as importações caíram 7,4% e confinaram-se, como nos anos anteriores, aos combustíveis minerais. Ascenderam, em valor, a 417,9 milhões de euros, fazendo do Azerbaijão o 22.º fornecedor de Portugal, o que compara com o 108.º lugar daquele país na nossa lista de clientes no exterior.

Apesar de estar a passar por um momento de desaceleração económica, por força da depreciação do preço do petróleo, a sua principal riqueza, a República do Azerbaijão tem feito profundas reformas na sua estrutura económica e está apostada em se aproximar da União Europeia, o maior fornecedor do país. Tem estimulado o investimento estrangeiro, adoptou uma fiscalidade amiga das empresas e tem procurado modernizar a economia, diversificando a base industrial e investindo em infraestruturas e eventos de projecção mundial, como é o caso do Grande Prémio da Europa de Fórmula 1 deste ano, que se disputará pela primeira vez em Baku, entre 17 e 19 do próximo mês, num circuito urbano propositadamente traçado para poder ombrear com o mítico Grande Prémio do Mónaco. No ano passado, tinha sido a primeira edição dos Jogos Europeus e em 2012 foi o país anfitrião do festival da Eurovisão.

Os investimentos em infraestruturas e imagem vão continuar até 2020, ano em que Baku vai receber quatro jogos do Europeu de Futebol.

As reformas estruturais dos últimos anos tornaram o país na 38.ª economia mais competitiva do mundo, à frente de alguns países da UE, e o 10.º sistema macroeconómico mais estável entre os 140 constantes do ranking do Global Competitiveness Report 2015-2016, do Fórum Económico Mundial. Já em 2014, a revista “Forbes” colocara o Azerbaijão no 60.º lugar da lista dos melhores países para fazer negócios no mundo, num total de 146 nações avaliadas.

Apesar de o crescimento médio anual do PIB perspectivado para os próximos anos se ficar pelos 3,4%, muito longe dos dois dígitos atingidos na década passada, a progressiva abertura ao mundo está a conferir ao Azerbaijão um importância na região do Cáucaso que nunca antes teve, tornando-se num importante corredor económico de ligação entre a Europa e a Ásia, potenciando a sua orla marítima, no Cáspio, e as fronteiras com a Rússia, o Irão e a Turquia.

Comitiva portuguesa visitará duas feiras em Baku

Nos seis dias que permanecerá em Baku, a comitiva portuguesa vai ter oportunidade de avaliar, no terreno, alguns dos possíveis negócios ao alcance das empresas potuguesas, mediante reuniões B2B previamente agendadas pela AEP Internacionalização, e de visitar a Caspian Agro – Azerbaijan International Agriculture Exhibition e à WorldFood Azerbaijan – Azerbaijan International Food Industry Exhibition.

A Caspian Agro reúne importadores, exportadores, distribuidores, retalhistas e armazenistas, constituindo o principal ponto de encontro dos profissionais do sector agroalimentar do país. Os organizadores têm apostado na troca de experiências entre agricultores azeris e estrangeiros, na divulgação de boas práticas e na apresentação de tecnologias e equipamentos que promovam a modernização e produtividade da agricultura do país. No ano passado, numa área de 6.723 metros quadrados, o certame reuniu 142 expositores, de 21 países, e recebeu 6.848 visitantes.

Por seu lado, a WorldFood Azerbaijan assumiu-se, nos últimos anos, como plataforma de promoção da indústria alimentar naquela região do Cáucaso. Neste ano, são esperadas 200 expositores, de vários países. De entre eles, deverão destacar-se, à semelhança das últimas edições, os produtores e distribuidores de produtos alimentares da Bielorrússia, República Checa, Alemanha, Índia, Itália, Cazaquistão, Lituânia, Rússia, Espanha, Turquia, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos.

Integrando o programa de internacionalização da AEP para 2016, esta primeira missão ao Azerbaijão é co-financiada pelo Compete 2020, no âmbito do Portugal 2020 – Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização, Eixo II – Projectos Conjuntos – Internacionalização.

Agricultura e Mar Actual

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