China suspende compras de soja dos EUA

As compras chinesas de soja dos Estados Unidos da América (EUA) “têm sido nulas nos últimos meses, algo que está relacionado com as elevadas tarifas, com a incerteza tarifária e com a disponibilidade de alternativas oriundas do Brasil. Embora as compras sejam normalmente baixas durante este período, não costumam ser inexistentes. A última vez que os agricultores dos EUA esperaram tanto tempo pelas encomendas de soja da nova colheita foi em 1999″, realçam os analistas da XTB.

E adiantam que esta situação sem precedentes é impulsionada por vários factores-chave, como o Brasil oferecer estabilidade política e preços competitivos, apesar do real mais forte”. “O Brasil detém uma vantagem significativa em termos de custos na produção de soja, com custos de produção por hectare aproximadamente 20% mais baixos do que nos EUA, principalmente devido a despesas mais baixas com terra e capital”.

“Embora a correlação entre o real brasileiro e os preços da soja tenha sido significativa, os preços actuais da soja são baixos, apesar da força do real (um real mais forte deveria reduzir a competitividade das exportações brasileiras)”, acrescentam os analistas da XTB.

E salientam que “desde a primeira guerra comercial do presidente Trump que a China mudou em grande parte o seu foco da soja produzida nos EUA para a soja brasileira, embora continue a ser um comprador crucial de soja dos EUA. Para a China, as importações dos EUA representam apenas 20% do total das suas importações de soja, mas para os EUA, a China representa cerca de 50% das suas exportações de soja”.

Por outro lado, referem que a China detém actualmente cerca de 34% das reservas mundiais de soja, estimadas em 43 milhões de toneladas até ao final de 2025. A importação recorde no primeiro semestre do ano levaram a uma acumulação de reservas de farinha de soja, obrigando algumas fábricas de processamento a encerrar devido à falta de espaço de armazenamento.

“Embora os preços da soja brasileira sejam actualmente mais elevados do que os preços dos EUA, a China continua a comprar soja principalmente da América do Sul por razões políticas. As tarifas actuais sobre a soja dos EUA são de 10%, semelhantes às de outros produtos. Por outro lado, a China pode estar à espera de uma potencial prorrogação da suspensão das tarifas anteriormente extremas, que em determinado momento ultrapassaram os 100% em ambos os lados”, adiantam aqueles analistas.

Impacto nos preços da soja

Após os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, “os preços da soja reagiram inicialmente com uma subida, mas observamos quedas logo no início do dia seguinte. O factor chave para os preços será, naturalmente, as decisões de compra da China. Se estas compras aumentarem, os preços poderão regressar permanentemente acima dos 10 dólares. Por outro lado, os especuladores não estão particularmente optimistas em relação aos preços, tendo reduzido significativamente a sua posição nesta mercadoria”.

O último relatório global WASDE indica um declínio em todos os indicadores-chave. As perspectivas de produção e os stocks finais foram reduzidos, com os stocks finais a serem, em última análise, reduzidos minimamente em relação aos máximos históricos da época passada. Embora os preços possam flutuar neste momento, as perspectivas de excesso de oferta global podem fazer com que os preços desçam para o nível de suporte crucial de 8,50 dólares por bushel. Antes de atingir esse nível, no entanto, os preços teriam de enfrentar o importante suporte de 9,50 dólares, um nível que tem sido um suporte desde Agosto do ano passado.

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