O Grupo Parlamentar do Chega recomenda ao Governo a “conciliação entre a conservação do lobo-ibérico e a protecção da actividade pecuária”, aconselhando o Executivo a reforçar “o sistema de indemnização por animais mortos em ataques de lobo-ibérico, assegurando um apoio financeiro célere, justo e proporcional às perdas, reduzindo a burocracia associada ao processo”.
Segundo o Projecto de Resolução n.º 977/XVII/1.ª, entregue na Assembleia da República, os deputados do Chega recomendam ainda a melhoria das “medidas de protecção dos rebanhos em zonas de presença do lobo-ibérico, nomeadamente através do apoio a cães de protecção e da melhoria de cercas e vedações”, assim como a intensificação do acompanhamento e a monitorização das populações de lobo-ibérico, promovendo uma gestão mais eficaz dos conflitos com a actividade pecuária”.
O desenvolvimento de “estratégias de co-existência entre a conservação do lobo-ibérico e a pecuária tradicional, promovendo simultaneamente a protecção da biodiversidade e a sustentabilidade das actividades rurais, incluindo a recuperação das populações de espécies selvagens presas do lobo-ibérico”, é outra das propostas.
Por último, os deputados do Chega recomendam a reavaliação e o reforço das “políticas de conservação, garantindo que o esforço de protecção da espécie não incide de forma desproporcionada sobre os produtores pecuários”.
Explicam aqueles deputados no seu Projecto de Resolução que “actualmente, são conhecidas entre 45 e 65 alcateias no País”, realçando que o lobo-ibérico “é um predador generalista, alimentando-se principalmente de corço, veado e javali, mas também de animais domésticos e carcaças, especialmente quando há escassez de presas naturais”.
“Apesar de o lobo-ibérico ser uma espécie protegida e em processo de conservação em Portugal, existem tensões com o sector da pecuária. Associações de produtores de gado alertam para o aumento dos ataques a rebanhos, referindo perdas económicas significativas e impacto em raças autóctones”, alertam os deputados do Chega.
Dizem aqueles deputados que “os criadores afirmam que estes ataques estão a dificultar a continuidade da pecuária tradicional e criticam a burocracia associada às indemnizações do Estado, considerando que nem sempre as perdas são devidamente compensadas. Alguns casos relatam ataques com várias dezenas de animais mortos num único incidente”.
“Embora não se oponham à protecção do lobo, as associações defendem que a conservação da espécie deve ser conciliada com a preservação da produção pecuária e das raças locais, evitando conflitos entre conservação da natureza e produção animal”, acrescentam.
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