Início / Agricultura / Carlos Neves. Secretário-geral da Aprolep: “subcomissão específica do sector do leite não resolve nada. O problema está na distribuição alimentar”

Carlos Neves. Secretário-geral da Aprolep: “subcomissão específica do sector do leite não resolve nada. O problema está na distribuição alimentar”

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A criação de uma subcomissão específica do sector do leite e produtos lácteos, no âmbito da PARCA [Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar], não vai resolver nada de imediato. Os produtores de leite precisam é de uma decisão rápida da Sonae, do Pingo Doce, de todas as cadeias de distribuição alimentar”.

Quem o diz é Carlos Neves, secretário-geral da Aprolep — Associação dos Produtores de Leite de Portugal que garante que com o aumento do preço do leite pago ao produtor, “o preço de um litro de leite para o consumidor final não deverá aumentar mais de 5 cêntimos. E possivelmente se os supermercados pararem com as promoções quase nem precisam de aumentar o preço de venda”.

Em conversa com o agriculturaemar.com, após o anúncio do Ministério da Agricultura da criação da subcomissão específica do sector do leite e produtos lácteos, no âmbito da PARCA, que tem como objectivo elaborar propostas de intervenção que resolvam os problemas do sector, Carlos Neves, diz estranhar que a Aprolep não esteja incluída na subcomissão, que irá elaborar um relatório de diagnóstico, com a análise da actual situação, designadamente da estrutura de custos e de proveitos das diversas fases da cadeia (produção, indústria e retalho), assim como dos circuitos e fluxos de produtos. O relatório será apresentado à PARCA até ao final de 2021.

A subcomissão será constituída por um representante das seguintes entidades: Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), que a preside e coordena; Direcção-Geral das Actividades Económicas; Direcção-Geral do Consumidor; Confederação dos Agricultores de Portugal; Confederação Nacional da Agricultura; Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal; Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares; Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição; Federação Agrícola dos Açores e um organismo ou serviço representante da Região Autónoma dos Açores.

A relação com a grande distribuição

Mas o que se passa então para que os produtores de leite manifestem o seu desespero? “O Pingo Doce, por exemplo, que compra o leite para a sua marca directamente aos produtores, podia começar por dar o exemplo. Os restantes distribuidores compram em concurso à indústria que oferecer o leite mais barato”, diz Carlos Neves.

E relembra o secretário-geral da Associação que “em Espanha, o Carrefour e a Mercadona já perceberam o problema e subiram o preço pago aos produtores”, realçando que “a grande distribuição não está a ganhar dinheiro com o leite que vende. Apenas o usa como reclame, faz campanhas para atrair clientes que, naturalmente, compram muitos outros produtos, alimentares ou não”.

“Os supermercados não perdem dinheiro com as promoções, têm muito cuidado para não serem multados por dumping, mas também não ganham”, frisa aquele responsável.

O aperto financeiro

Segundo Carlos Neves, um produtor médio tem entre 40 a 50 vacas. “Na melhor das hipóteses conseguem pagar as despesas inerentes à actividade, mas já não conseguem fazer investimentos. E alguns têm mesmo prejuízo”. “Após a grande crise do leite, as ajudas comunitárias foram um balão de oxigénio, com a PAC [Política Agrícola Comum] a pagar um apoio de 3 cêntimos por litro. Mas, desde aí, essas ajudas têm vindo sempre a descer”.

Com o aumento do preço pago pelo leite aos produtores, o consumidor final vai pagar mais? Carlos Neves diz que “possivelmente sim, mas que não será mais de 5 cêntimos. E possivelmente se os supermercados pararem com as promoções quase nem precisam de aumentar o preço de venda”.

Mas, como consegue a indústria leiteira sobreviver a preços tão baixos, nos locais de venda? “É nos leites com chocolate e leites específicos que ganham dinheiro”, garante Carlos Neves, salientando que “se o preço do leite, na venda ao público, tivesse acompanhado a inflação dos últimos anos, estaria a ser vendido ao público a 1,2 euros o litro”.

Entretanto, hoje, 3 de Setembro, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, já explicou que o Governo “não pode mexer no preço do leite. É o mercado que o define”. Mas, disse estar atenta ao problema e está já a marcar reuniões com os vários intervenientes, incluindo os produtores de leite dos Açores.

Agricultura e Mar Actual

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