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Foto: Ministério da Agricultura

CAP: “o que tem a campanha eleitoral a ver com a falta de pagamentos aos agricultores?”

O secretário-geral da CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal, Luís Mira, disse ser “simplesmente inexistente” a resposta do Governo para mitigar o impacto da seca no sector da produção e da alimentação animal, em declarações à Lusa, no passado dia 6 de Agosto.

“No que concerne às medidas destinadas aos animais, a resposta do Governo é simplesmente inexistente. Verificou-se um adiantamento de dois meses relativamente ao pagamento dos valores comunitários anuais para os produtores de uma forma geral, a qual não tem a ver com as necessidades específicas do sector pecuário”, afirmou Luís Mira.

A resposta da ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, chegou ontem e a CAP diz que “a ministra da Agricultura tem que explicar significado do ataque gratuito que dirigiu” à Confederação.

“Não cederemos um milímetro a este bullying político e continuaremos a ser a voz de defesa agricultores sempre e em todas as ocasiões”

Instada pelos jornalistas, ontem, dia 10 de Agosto, à margem de uma visita a uma unidade de produção de citrinos no Morgado da Torre, em Portimão, a responder a críticas efectuadas pela CAP sobre a inexistente resposta do Governo para mitigar o impacto da seca no sector da produção e da alimentação animal, a ministra da Agricultura respondeu da seguinte forma: “É melhor perguntar porque é que durante a campanha eleitoral a própria CAP aconselhou os eleitores a não votar no Partido Socialista”.

“Estas declarações são perplexizantes. A campanha eleitoral terminou a 30 de Janeiro. Há mais de seis meses! E o que tem a campanha eleitoral a ver com a falta de pagamentos aos agricultores? E com a ausência de medias de apoio à seca? A ministra não paga aos agricultores, e adia decisões, por retaliação política à CAP?”, refere a Confederação em comunicado.

“Não cederemos um milímetro a este bullying político”

Comunicado que apela “ao escrutínio do verdadeiro sentido e significado destas declarações. Não cederemos um milímetro a este bullying político e continuaremos a ser a voz de defesa agricultores sempre e em todas as ocasiões”.

A resposta dada à pergunta do jornalista, “totalmente extemporânea à pergunta feita, e proferida com tanta determinação, indicia que a mesma estava já ensaiada. Maria do Céu Antunes quis mesmo dizer o que disse. Deve explicar porquê”, salienta a direcção da CAP.

Para a Confederação, “são declarações que, parecem-nos, são pouco saudáveis num Estado de Direito Democrático. E que têm que ser explicadas”.

O PAN

No decurso da campanha eleitoral (17 de Janeiro), a CAP, num “exercício de liberdade de manifestação de pensamento, e na defesa dos interesses que legalmente e legitimamente representa”, apelou à “rejeição de voto no PS e de todos os partidos que tivessem a intenção de coligar-se com o PAN ou com todos os partidos anti-agricultura e anti-Mundo Rural”.

Diz a direcção da CAP que “foi um apelo efectuado num contexto político próprio, que não visou o PS em exclusivo, mas sim todos os partidos políticos que abrissem a possibilidade de diálogo pós-eleitoral, tendo em vista soluções de governo, com partidos que são contra a agricultura”.

Acrescenta o mesmo comunicado que “imediatamente após os resultados das eleições legislativas de 30 de Janeiro, a direcção da CAP felicitou, por escrito e em comunicado, o Partido Socialista” pelos resultados eleitorais obtidos, destacando que “um grande resultado eleitoral implica uma grande responsabilidade política”.

E deixa a pergunta: 2Estará Maria do Céu Antunes, com este ataque gratuito e extemporâneo, à altura dessa responsabilidade?”

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