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CAP acusa ministra da Agricultura de fazer uma “consulta de fachada” à futura PAC e propõe criação de um Digital Rural Act na UE

A CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal, aproveitando uma intervenção efectuada hoje, 21 de Outubro, na sessão plenária do Comité Económico e Social Europeu (CESE), apelou à extensão de alguns prazos respeitantes à Política Agrícola Comum (PAC) e denunciou a “consulta de fachada” que está a ser feita em Portugal pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. E interpelou o Comissário Europeu da Agricultura, o polaco Janusz Wojciechowski, propondo a criação de um Digital Rural Act.

O secretário-geral da CAP, Luís Mira, na sua intervenção, denunciou que a consulta pública que está a ser desenvolvida em Portugal, respeitante à futura Política Agrícola Comum, é uma “consulta de fachada, que está a ser realizada de forma supérflua e desprovida de conteúdo, apenas para cumprir um formalismo que, tal como está a ser feito, é inconsequente, pois o Regulamento de Base vai ser votado no Parlamento Europeu apenas no próximo mês e, como tal, não existe enquanto acto jurídico, o que impede o Ministério da Agricultura de Portugal de apresentar o seu Plano Estratégico (PEPAC), simplesmente pelo desconhecimento das regras”.

E realça Luís Mira que “não temos Regulamentos Secundários, não temos Regulamentos de Execução, não temos Regulamentos de Actos Delegados, não existe qualquer conhecimento oficial do seu conteúdo e o Ministério da Agricultura português, o que está a fazer, é uma consulta a fingir, uma verdadeira consulta pública de fachada, o que é deplorável, e a Comissão Europeia deve estar consciente desta realidade”.

Refira-se que a CAP tem assento no CESE, instância consultiva comunitária que emite pareceres sobre temáticas europeias dirigidas à Comissão Europeia, ao Conselho e ao Parlamento Europeu, fazendo a ponte entre as instâncias de decisão da UE e os cidadãos.

Maior prazo para apresentação dos Planos Estratégicos

No final da sua intervenção, o secretário-geral da CAP apelou ainda para que a Comissão Europeia prolongue, no mínimo, em mais 3 meses, o prazo para apresentação dos Planos Estratégicos por parte dos Estados-membros, permitindo que em Portugal “se possa fazer uma verdadeira consulta, sobre o conteúdo que esteja já definido com base nos diversos Regulamentos, o que nesta data, como demonstrado, é impossível”.

Por outro lado, Luís Mira referiu que, pelo facto de a nova PAC prever um conjunto de indicadores de desempenho, “não é possível que os mesmos sejam devidamente avaliados em apenas 4 anos, que é o período temporal do próximo ciclo”. Nesse sentido, apelou para que a Comissão possa garantir que o novo modelo da PAC seja aplicado por 10 anos e não por 4. “O alargamento deste prazo será determinante para garantir a eficácia da próxima geração da Política Agrícola Comum”, garantiu.

Digital Rural Act

Na sessão plenária do Comité Económico e Social Europeu, Luís Mira interpelou ainda o Comissário Europeu da Agricultura, o polaco Janusz Wojciechowski, propondo a criação de um Digital Rural Act.

Com efeito, refere a CAP em comunicado, a Comissão, para estimular o comércio e os serviços, criou o Digital Market Act e o Digital Services Act, para, respectivamente, estimular e regular estas actividades. Na sua interpelação ao Comissário, Luís Mira afirmou que “lamentavelmente, a Comissão Europeia, que fez bem em criar estes dois instrumentos, esqueceu-se do imenso território rural europeu, por este não estar abrangido por estas políticas. Por essa razão, o CESE vem pedir que a Comissão crie um Digital Rural Act que proporcione aos territórios rurais de baixa densidade populacional uma solução para não ficarem excluídos do processo de digitalização”.

A proposta apresentada pelo CESE através do Secretário-Geral da CAP para a instituição de um Digital Rural Act, estabelece três eixos de actuação.

Primeiro, que seja assegurada a cobertura com rede digital das regiões rurais, em simultâneo com a cobertura prevista para as zonas urbanas; segundo, que seja delineada e implementada uma política consistente de acções de formação, para combater a iliteracia digital das populações rurais; e em terceiro, que sejam criados aplicações e programas que respondam às necessidades das pessoas e das empresas destes territórios, assegurando a inclusão tecnológica e democratização da digitalização.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
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