O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, participou esta quarta-feira, em Nice, na sessão de alto nível “Leading by Doing – Three Years of Progress and Meaningful Action Towards 30×30”, no âmbito da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC3).
Intervindo perante um auditório composto por decisores políticos, líderes internacionais e organizações da sociedade civil, José Manuel Bolieiro apresentou os Açores como “um exemplo” concreto de compromisso e acção na conservação marinha, sublinhando os avanços expressivos alcançados nos últimos três anos, avança uma nota de imprensa do Executivo açoriano.
Recordando o compromisso assumido na edição anterior da conferência, em Lisboa, o líder do Governo açoriano destacou a concretização da meta de proteger legalmente 30% da área marítima sob jurisdição regional. Em 2024, os Açores formalizaram a criação de cerca de 300 mil quilómetros quadrados de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), constituindo a maior rede do género em todo o Atlântico Norte, adianta a mesma nota.
“Os Açores são um território que entende que o futuro está profundamente ligado à saúde do oceano”, afirmou, acrescentando que a protecção marinha “não é apenas uma aspiração, é uma realidade construída com base em conhecimento, diálogo e cooperação”.
José Manuel Bolieiro sublinhou que esta política de conservação assenta em três pilares fundamentais: decisões baseadas na ciência, participação cidadã e colaboração internacional. O governante destacou, neste âmbito, o papel de projectos como o Blue Azores, bem como as parcerias estratégicas com organizações como a Blue Nature Alliance, o Waitt Institute e a Fundação Oceano Azul.
O modelo açoriano tem “contado com um forte investimento em investigação científica e com um processo de co-criação de políticas públicas que envolveu pescadores, cientistas, associações e jovens”, refere a mesma nota. “A inclusão das comunidades locais é essencial para garantir uma conservação com legitimidade e eficácia no terreno”, defendeu o governante.
O trabalho realizado pelos Açores mereceu também o reconhecimento por parte do Governo da República. O secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, que também participa na conferência, salientou o papel central da Região nos avanços registados a nível nacional na protecção marinha.
“Só no último ano, a percentagem do nosso espaço marítimo sob protecção passou de 5% para 19%. Este avanço não teria sido possível sem a extensão das Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, que constitui um marco fundamental”, afirmou, agradecendo ao Governo dos Açores pelo seu “empenho e visão”.
A intervenção de José Manuel Bolieiro “reforça o posicionamento dos Açores como referência internacional em políticas de conservação marinha, num momento em que a comunidade global avalia o cumprimento da meta 30×30 — proteger 30% do oceano até 2030”, realça a mesma nota. O presidente do Governo deixou claro que a Região “está comprometida com a implementação integral da rede criada, incluindo os planos de gestão, financiamento sustentável, fiscalização e adaptação das pescas”.
“Os desafios são imensos, mas estamos a provar que a acção é possível e que os resultados são tangíveis. Lideramos pelo exemplo”, concluiu José Manuel Bolieiro.
Desta sessão de alto nível participaram, entre outros, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Chile, o ministro da Agricultura, das Pescas e do Ambiente da República do Palau e Bruno Oberle, Director-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A participação dos Açores na UNOC3 “reafirma a sua relevância no debate global sobre o oceano e o papel que uma região ultraperiférica pode ter na vanguarda das soluções ambientais de alcance mundial”.
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