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Batata-doce. Manual de boas práticas agrícolas disponível online

O livro “Batata-doce. Manual de boas práticas agrícolas”, recentemente publicado, numa edição do INIAV — Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, está disponível online. Trata-se de um documento técnico que constitui uma verdadeira ferramenta para o agricultor.

O documento surge no âmbito do projecto +BDMira — liderado pelo INIAV — Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária — visa transferir informação que fomente a produtividade e a qualidade das raízes de batata-doce no Perímetro de Rega do Mira.

O Manual está organizado em quatro capítulos, sendo o primeiro dedicado à planta da batata-doce, nomeadamente à sua morfologia, ao ciclo cultural, às condições edafoclimáticas preferenciais para o seu crescimento e desenvolvimento e ainda sobre o valor nutricional das raízes comestíveis.

O segundo capítulo, o mais extenso, aborda as tecnologias de produção na cultura da batata-doce e as respectivas boas práticas a serem seguidas. De entre as práticas culturais destacam-se: a propagação das plantas, as rotações culturais, a preparação do terreno e a instalação da cultura, gestão da fertilização e da rega e o controlo de pragas e doenças que podem afectar drasticamente uma cultura, assim como a gestão de infestantes. O capítulo termina com as boas práticas na colheita, na pós-colheita e na conservação.

A avaliação económica da cultura é apresentada, no capítulo 3, destacando-se a conta de cultura como uma ferramenta para avaliar a competitividade e a sustentabilidade da cultura.

No quarto e último capítulo discutem-se as estratégias de valorização da cultura da batata-doce no Perímetro de Rega do Mira onde, desde 2009, foi reconhecida pela União Europeia a Indicação Geográfica Protegida “Batata-doce de Aljezur”. As propostas podem ser replicadas e ajustadas para outras zonas do País.

A cultura da batata-doce

Segundo o Manual, o aumento crescente da procura, por parte dos consumidores, por batata-doce é notório em todo o Mundo, devido às suas características organoléticas e nutricionais, tão divulgadas e difundidas, numa época em que o consumidor está cada vez mais informado e ciente das implicações da alimentação na saúde. Esta alteração de hábitos e de dietas nutricionais mais equilibradas vai interferir com toda a fileira da batata-doce, desde a produção até ao retalho.

A cultura da batata-doce está difundida em todo o Mundo, mas é o continente asiático que se destaca como o principal produtor, seguido dos continentes africano e americano.

É no continente europeu que a produção de batata-doce é a mais baixa do Mundo, no entanto há uma tendência para um aumento da área de produção. Os principais países produtores são Espanha, Grécia, Itália e Portugal, embora haja outros países em que também se cultiva batata-doce, mas em menor quantidade.

Em 2018, Espanha destacou-se em área de produção (2 360 ha) (fig. 1), com um total de 59 863 t de raízes de batata-doce produzidas e Portugal com 23 470 t.

A área de produção europeia tem aumentado, sobretudo pelo incremento que se tem verificado em Espanha. Portugal, tem condições edafoclimáticas propícias para a cultura da batata-doce, nomeadamente no Algarve e no litoral alentejano, onde o seu cultivo se perde no tempo.

Nas regiões de Aveiro/Vagos, Oeste e Comporta, também pelas condições edafoclimáticas favoráveis e pelo mercado em expansão, é uma cultura emergente. Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira a cultura também tem tradição.

Nos últimos anos as estatísticas apontam para uma área de cerca de 1 000 ha, mas estima-se que em 2020, este valor já seja de cerca de 1 500 ha, considerando Portugal continental e regiões autónomas.

Projecto +BDMira

Apesar de as condições favoráveis à cultura e ao interesse crescente dos consumidores por batata-doce, a produtividade desta cultura no Perímetro de Rega do Mira (PRM), onde cerca de 70% da área de produção se situa, tem vindo a diminuir, essencialmente pelo aparecimento de novos problemas fitossanitários devido à não utilização de material de propagação são e de adequadas tecnologias de produção, como a optimização da fertilização e a gestão da rega e ainda, metodologias de conservação mais adequadas.

Sabe-se que a multiplicação a partir de estacas da cultura do ano anterior e a falta de um controlo eficaz dos principais vectores de vírus (afídeos e moscas-brancas) têm vindo a perpetuar a incidência de vírus, afectando a produtividade e a qualidade das raízes. À produção nacional faltam assim viveiristas nacionais que disponibilizem plantas sãs, isentas de vírus e outras doenças.

No sentido da resolução dos problemas da cultura e com o propósito de incentivar os viveiristas e produtores a utilizarem um outro modelo de produção/dinâmica organizacional, com adopção de tecnologias de produção sustentáveis de: multiplicação in vitro e em estufa para material de viveiro; produção; e conservação pós colheita de raízes, surgiu o Grupo Operacional +BDMira – ‘Batata-doce competitiva e sustentável no Perímetro de Rega do Mira: técnicas culturais inovadoras e dinâmica organizacional’.

O projecto +BDMira tem como parceiros o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém (ESA/IPS), a Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) e dos produtores de batata-doce ASF Portugal Unipessoal e da Gemüsering Portugal Produção Hortícola.

Pode descarregar o livro “Batata-doce. Manual de boas práticas agrícolas” aqui.

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