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Aprolep pede ao Governo “palavra forte junto da indústria e distribuição” para aumento imediato do preço do leite pago ao produtor

A direcção da Aprolep — Associação dos Produtores de Leite de Portugal diz ser “urgente que os governantes tenham uma palavra forte junto da indústria e distribuição para um aumento imediato do preço base a pagar ao produtor para acompanhar os custos de produção”.

E em tempo de eleições legislativas, afirma que “é essencial que o novo governo seja capaz de criar rapidamente um “observatório do leite” e um mecanismo capaz de actualizar os contratos e indexar o preço do leite aos custos de produção”.

As afirmações surgem em comunicado como reacção ao Relatório da Subcomissão Específica para análise do sector do leite e produtos lácteos, divulgado no passado dia 21 de Janeiro, e a que a Aprolep chama de “O relatório das vacas magras”, realçando a sua preocupação com a “ausência de dados actualizados sobre os aumentos dos custos de produção registados no último ano”.

“Apesar de nos preocupar a ausência de dados actualizados sobre os aumentos dos custos de produção registados no último ano, consideramos este relatório um importante diagnóstico e um ponto de partida para mudar a realidade actual da crise que atravessamos. A Aprolep está disponível para dar o seu contributo para que este documento seja alvo de estudo, debate, reflexão e base para a tomada de medidas urgentes, que deverão ser rapidamente postas em prática”, refere o mesmo comunicado.

O papel dos políticos

Os produtores de leite referem ainda que “depois de lançarmos no início da campanha eleitoral uma manada de vacas de cartão em Lisboa a denunciar que “os políticos abandonaram os produtores de leite”, esperávamos uma declaração mais concreta do primeiro-ministro em Vila do Conde, zona da “bacia leiteira”, no dia seguinte à divulgação do relatório”.

Mas, “disse o Dr. António Costa: “Não estamos cá só quando as vacas estão gordas. Estamos cá porque sabemos que para as vacas estarem gordas é preciso alimentar o gado, é preciso acarinhar o gado, é preciso tratar bem o gado para que o gado engorde”. Não era isso que esperávamos ouvir”.

E acrescentam que o que produtores de leite esperam dos vários candidatos é que, “para além das referências ao “gado” e ao gato “Zé Albino”, venham ao terreno visitar vacarias e reunir com os agricultores, que nos digam que já leram ou vão ler o relatório da PARCA, que se informem sobre o custo de “alimentar o gado” e nos apresentem medidas concretas que nos permitam receber um preço justo pelo leite para viver com dignidade”.

Aumentos sucessivos de custos

O comunicado realça ainda que “os produtores de leite portugueses sofreram desde o início de 2021 sucessivos aumentos dos custos com a alimentação das vacas leiteiras, sem que ocorresse o correspondente aumento do preço do leite pago ao produtor”.

E que, após sucessivos alertas da Aprolep, o Ministério da Agricultura anunciou a 6 de Julho de 2021 que iria apresentar uma “proposta de criação” de uma subcomissão na PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, para “monitorização e análise do sector do leite e produtos lácteos”.

A 3 de Setembro, foi anunciada a “criação de uma subcomissão específica do sector do leite e produtos lácteos, com o objectivo elaborar propostas de intervenção que resolvam a crise e os problemas que afectam actualmente os produtores”.

“Um ano após termos lançado os primeiros alertas, o prometido relatório foi finalmente divulgado a 21 de Janeiro de 2022 e veio confirmar o que tínhamos denunciado: que o preço do leite em Portugal esteve 5 cêntimos/litro abaixo da média da UE em 2021, que houve uma redução de 90% no número de vacarias ao longo de uma década (entre 2009 e 2019) e podemos acrescentar que depois a redução do número de produtores ainda se agravou e os que resistem estão endividados, revoltados e desanimados”, pode ler-se no comunicado.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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