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ANP|WWF entrega ao Governo contributos de mais de 30 especialistas pela conservação de tubarões

A ANP|WWF — Associação Natureza Portugal, no seguimento do despacho n.º 7357/2023, de 13 de Julho, que define a criação pelo Governo de um grupo de trabalho com a missão de elaborar o Plano de Acção Nacional para a gestão e conservação de tubarões, raias e quimeras, enviou hoje, 14 de Julho, às Secretarias de Estado das Pescas, do Mar e da Conservação da Natureza e Florestas um relatório detalhado com contributos de mais de 30 especialistas – desde cientistas, pescadores, administrações e membros de Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA).

Apela aquela Associação ao Governo que “as Regiões Autónomas não sejam deixadas de parte, à articulação das várias entidades e a que exista monitorização e fiscalização efectivas e regulares para a definição de um Plano de Acção verdadeiramente efectivo, nacional e que contribua para gerir, conservar e reverter as populações de tubarões e raias”.

Durante a 2ª Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que teve lugar em Lisboa em 2022, o Governo português assumiu o compromisso de desenvolver um Plano de Acção Nacional para a Gestão e Conservação dos Tubarões e Raias até ao final de 2023. Com o apoio da AIEP – Associação para a Educação, a Saúde, a Arte e o Meio Ambiente – e da Fundação Oceano Azul, a ANP|WWF realizou no passado dia 7 de Julho um Workshop participativo Nacional para contribuir para o desenvolvimento deste plano, o qual juntou stakeholders relevantes para a Gestão e Conservação de Tubarões e Raias, tanto do continente como das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Desse workshop, explica um comunicado de imprensa da ANP|WWF, resultaram várias recomendações, tal como que o âmbito do Plano deverá incluir não só as espécies comerciais por questões sócio-económicas, mas também outras espécies sem interesse comercial que devem ser valorizadas e protegidas devido ao seu elevado valor ecológico para a produtividade, equilíbrio e saúde do Oceano.

E que, ao contrário do que está definido no despacho publicado ontem, todas as entidades relevantes para a gestão e conservação de tubarões e raias em Portugal devem ser envolvidas e consultadas durante todo o processo de elaboração do Plano. Isto inclui entidades governamentais e autoridades, instituições científicas, organizações da pesca, não governamentais e empresariais, tanto do continente como dos arquipélagos dos Açores e Madeira.

Outra das recomendações refere que as especificidades locais devem ser tidas em consideração; e que as áreas de intervenção do Plano devem ser: pesca dirigida e acidental; consumo e comércio; conhecimento científico e literacia; ameaças ambientais e protecção de habitat; e interacções com outras actividades humanas.

“Momento fulcral para definição de estratégia eficaz e transparente”

Catarina Grilo, directora de Conservação e Políticas da ANP|WWF, considera que “este pode ser um momento fulcral para a definição de uma estratégia eficaz e transparente, com acções concretas passíveis de serem implementadas, e que envolva todos os agentes que lidam com a biodiversidade marinha, ao invés da habitual abordagem governamental que exclui dos processos de planeamento e decisão todas as outras partes interessadas. A ANP|WWF tem já muitos anos de experiência na facilitação destas sessões de trabalho que juntam stakeholders de todas as áreas, e com esta sessão fica demonstrado que há conhecimento e interesse por parte de stakeholders do Continente, Açores e Madeira em acompanharem a elaboração deste plano”.

“A natureza está em crise e é preciso urgência na acção, mais do que palavras. Apelamos ao Governo para que haja com maior celeridade e de forma participativa, sob o risco de perdermos ainda mais biodiversidade dentro das águas nacionais”, adianta Catarina Grilo.

Realça o mesmo comunicado que em Portugal, “são conhecidas 117 espécies de tubarões, raias e quimeras. Muitas destas espécies estão em risco devido à sobreexploração causada pela inadequada regulamentação das pescas, por uma falta de conhecimento científico e baixa literacia e por um comércio complexo e pouco transparente, que se destina não só à alimentação humana mas também à utilização menos visível em produtos cosméticos, farmacêuticos, para uso industrial e alimentação animal”.

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