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Análise Novo Banco. Porto de Sines tem “posicionamento geoestratégico” no gás natural

O departamento de Estratégia e Research Económico do Novo Banco considera que o Porto de Sines tem um “posicionamento estratégico” no transporte e distribuição de gás natural.

“O terminal de Sines desempenha importantes funções, permitindo a recepção e descarga de navios metaneiros de qualquer origem; a posterior armazenagem do GNL [gás natural liquefeito]; e a emissão para a Rede Nacional de Transporte de Gás Natural (RNTGN)”.

Destacam os analistas do Novo Banco (Susana Barros e Tiago Lavrador) que o Porto de Sines tem também outras valências como: a possibilidade de importar GNL de qualquer proveniência, o que aumenta a segurança no abastecimento; e a  possibilidade de fornecimento de GNL por camião cisterna, viabilizando o fornecimento a locais remotos do País.

No contexto da guerra na Ucrânia, com a União Europeia (UE) “focada na redução da dependência do gás russo e com o aumento das importações” oriundas dos Estados Unidos da América, o Porto de Sines “apresenta algumas vantagens competitivas relativamente a outros portos”, nomeadamente “a maior proximidade a mercados que se espera aumentem o seu fornecimento à UE (e.g. EUA)”.

E também a “localização na costa Atlântica, próxima dos maiores portos da Península Ibérica” e ser o “maior porto de águas profundas da costa atlântica, não tendo o congestionamento dos portos do Norte da Europa”.

“Pode ser um local para o transhipping – permitindo a chegada de grandes navios petroleiros e a transferência para navios de pequeno ou médio porte, com maior facilidade para fazer essa distribuição”, dizem Susana Barros e Tiago Lavrador no seu “Research Económico e Sectorial — O Gás Natural em Portugal e o Porto de Sines”.

Interligação entre Espanha e França exigem novos investimentos

No entanto, acrescentam, “existem limitações de capacidade de interligação entre Espanha e França, que exigem novos investimentos, pois a mesma é insuficiente para possibilitar a chegada deste GN à Europa”.

Em Portugal, o gás natural (GN) é uma fonte energética com bastante expressão, representando 25% do consumo primário de energia e 11% do consumo final de energia. É usado para a produção de electricidade (54%), pela indústria (36%) e também para o consumo doméstico (6%). O país não possui este recurso endogenamente, pelo que o importa na sua totalidade.

Por terra, através do gasoduto que tem origem na Argélia, passa por Marrocos, Estreito de Gibraltar, Tarifa (Espanha), Córdoba, Badajoz e chegando a Portugal em Campo Maior e em Valença do Minho. A partir daí, o GN, a alta pressão, entra no gasoduto nacional.

Por mar, o gás natural liquefeito (GNL) chega ao Porto de Sines, transportado por navios metaneiros, tendo a sua origem sobretudo na Nigéria (49% das importações portuguesas de GN em 2021) e nos EUA (31%), entre outros países.

Para além destes pontos de entrada na rede, para aqueles analistas merecem referência também o ponto de ligação à instalação de armazenamento subterrâneo do Carriço (concelho de Pombal); o gasoduto principal que se estende ao longo da zona oeste do país, entre Sines e Valença do Minho; e o gasoduto de trânsito que liga a zona central do sistema na região de Leiria-Pombal com a fronteira Leste com Espanha.

A actividade de armazenamento em Portugal divide-se entre o armazenamento subterrâneo de gás na sua forma gasosa (obedecendo ao estipulado num contrato de concessão, em regime de serviço público, estabelecido entre a REN e o Estado Português) e o armazenamento de GNL realizado pela REN Atlântico, que procede às operações de recepção do GNL, sua regaseificação e posterior entrega à rede de alta pressão.

Pode ler a análise completa departamento de Estratégia e Research Económico do Novo Banco aqui.

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