Os EUA anunciaram, no fim-de-semana, a imposição de tarifas de 30% sobre as importações oriundas da União Europeia (UE) e do México (neste caso, excluindo, em princípio, os bens abrangidos pelo acordo USMCA). Estes valores, que deverão entrar em vigor a 1 de Agosto, representam subidas a partir dos actuais 10% no caso da UE e 25% no caso do México (para além das tarifas sectoriais em vigor, como os 50% sobre o aço e o alumínio), avança a análise semanal de 14 a 20 de Julho de 2025, do Novo Banco.
A Comissão Europeia, adianta a mesma análise, anunciou que não irá retaliar imediatamente, permanecendo focada nas negociações comerciais em curso com os EUA, com vista a evitar o cenário mais adverso agora anunciado. “A manutenção de tarifas de 30% por parte dos EUA representaria um choque negativo relevante sobre a procura dirigida à economia europeia, podendo levar o crescimento anual do PIB da Zona Euro para níveis apenas marginalmente positivos, vs. actual expectativa de 0,9% para 2025. É provável que estes anúncios feitos pelo presidente Trump (tal como os referentes a outras economias) representem, sobretudo, uma forma de pressão sobre as negociações comerciais bilaterais em curso, admitindo-se uma moderação dos valores das tarifas”, dizem os analistas do Novo Banco.
De qualquer forma, “o aumento da incerteza, por si só, deverá penalizar a actividade económica, via adiamento de encomendas, decisões de investimento, emprego, etc.. E, em todo o caso, mesmo um recuo face aos anúncios da última semana poderá deixar a tarifa média efectiva praticada pelos EUA algures entre 15% e 20%, um nível muito superior aos cerca de 2.5% observados no início do ano. E esta avaliação não considera a possibilidade de a Administração Trump voltar a subir as tarifas depois de 1 de Agosto, em função de outros desenvolvimentos”.
Tarifas como pressão política
A este propósito, dizem os analistas do Novo Banco merecer “atenção especial o facto de os EUA terem anunciado também uma tarifa de 50% sobre as importações do Brasil (vs. 10% no Liberation Day). A natureza distintiva deste anúncio está no facto de a tarifa imposta não ser uma função do excedente comercial com a economia americana (na verdade, o Brasil tem um défice com os EUA, de cerca de USD 2 mil milhões em 2024)”.
Antes, “Trump justifica explicitamente as tarifas com motivos políticos, exigindo o fim imediato do processo judicial contra o ex-presidente Bolsonaro (seu aliado) e acusando o governo do Brasil de ataques às eleições livres e à liberdade de expressão (neste caso em função de decisões judiciais visando plataformas de redes sociais americanas)”.
A tarifa reflectirá também a “filiação do Brasil nos BRICs, que Trump vê como promovendo políticas anti-americanas. Estes desenvolvimentos mostram que os EUA vêem agora as tarifas também como um instrumento de pressão política. Assim, mesmo a celebração de acordos comerciais menos desfavoráveis até dia 1 de Agosto não afastará a incerteza, nem o risco de que os EUA voltem a usar as tarifas como forma de pressão económica, comercial ou política”.
Pode ler a análise semanal do Novo Banco aqui.
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