A AJAP — Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, em face da realidade que se vive nas regiões afectadas pelas recentes tempestades e em outras regiões do País, lança “um forte apelo ao Governo e aos partidos da oposição, que esqueçam as aritméticas dos votos e o défice e sejam verdadeiramente solidários com todo um povo sofredor, resiliente, que sempre disse ‘presente’ quando lhe foram pedidos sacrifícios”.
“É chegado o momento de sermos solidários e retribuirmos com quem perdeu quase tudo e está sem forças para se agarrar a quase nada”, refere uma nota de imprensa da AJAP.
O apelo surge após o Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, a convite do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, ter visitado a 17 de Fevereiro várias explorações agrícolas nos concelhos de Leiria e Pombal, duas das áreas mais afectadas pelo mau tempo.
Para a direcção da AJAP, “o Governo tem de esquecer os limites orçamentais e tem o dever de ajudar as pessoas, as empresas, os empregos, os agricultores e os jovens agricultores. Uma coisa é certa: o atraso nas ajudas e ajudas à base de empréstimos vão seguramente provocar falências, despedimentos, um caos na economia e o descrédito nas instituições”
A visita contou com a presença de dirigentes da AJAP, da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal, Confagri — Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas, dos vice-presidentes com pelouro da Agricultura das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), e outros técnicos do Ministério, a que se juntou o presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas e o presidente da Câmara Municipal de Leiria.
Esta avaliação directa da situação “permitiu sustentar o pedido urgente apresentado por Portugal à Comissão Europeia para a activação da reserva agrícola de crise — um mecanismo europeu com uma dotação anual de 450 milhões de euros destinado aos 27 Estados-membros — com o objectivo de ajudar a responder a perturbações graves nos mercados e a situações excepcionais que afectem o setor agrícola”, adianta a mesma nota.
.Assim, para a direcção da AJAP, “o Governo tem de esquecer os limites orçamentais e tem o dever de ajudar as pessoas, as empresas, os empregos, os agricultores e os jovens agricultores. Uma coisa é certa: o atraso nas ajudas e ajudas à base de empréstimos vão seguramente provocar falências, despedimentos, um caos na economia e o descrédito nas instituições”.
A AJAP reconhece “o estado de preocupação do Governo, nomeadamente do ministro da Agricultura e seguramente do ministro da Economia e Coesão, mas as Finanças não podem complicar, em nome do País urge ‘salvar’ tanta gente do rasto da desgraça, da miséria e dos prejuízos muito avultados que os incêndios de 2025, acrescidos deste ‘comboio de tempestades’, provocaram na vida das pessoas, nomeadamente nos seus bens (habitações) e até no emprego”.
“O mesmo em relação a muitas empresas que não vão conseguir reerguer-se, sejam de pequena, média ou grande dimensão, e aos agricultores, se os apoios não chegarem a tempo. Imaginamos o esforço que tantos empresários vão ter de fazer para se aguentar, o mesmo para os agricultores e jovens agricultores que viram quase tudo ir ‘por água abaixo’, ou destruído pela água que os invadiu. A vida destes empresários e agricultores é, já de si difícil, agora imaginemos quando intempéries desta natureza lhes batem à porta e entram sem pedir licença”, frisa a mesma nota.
Alterações climáticas
Para a AJAP, “importa recordar que as maiores tragédias que o País viveu nas últimas cinco a seis décadas foram provocadas por fenómenos naturais (incêndios e tempestades acompanhadas por ventos fortes). Por um lado, os incêndios de 2017 (Junho e Outubro), não só pela área ardida, mas fundamentalmente pela perda de 114 vidas, e agora em 2026, o denominado ‘Comboio de Tempestades’, pelos avultados prejuízos materiais e pela perda de 16 vidas relacionadas com estas intempéries”.
Entre as duas datas distam apenas nove anos, “sendo certo que os incêndios têm sido uma realidade nos últimos oito, basta recordar os ocorridos no Verão de 2025, para facilmente concluirmos que o fenómeno das alterações climáticas é uma realidade cruel com a qual temos de conviver e de nos precaver o mais possível. A exposição de Portugal a estes fenómenos é enorme, mas infelizmente a nível estrutural e preventivo, o País ainda não está suficientemente preparado para acautelar o mais possível estas intempéries naturais”.
Agricultura e Mar
AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
