A AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal alerta para a necessidade de intensificar o apoio aos Jovens Agricultores, a importância de iniciar a execução da Estratégia ‘Água que Une’, vital ao País, e não menos urgente, o combate às assimetrias rural/urbano, pela promoção de uma verdadeira coesão territorial, onde os Jovens Empresários Rurais (JER) são essenciais no combate à desertificação cada vez mais acentuada.
As medidas colocadas à disposição dos agricultores, ao longo dos quadros comunitários de apoio, têm contribuído para o crescimento e modernização dos modelos de agricultura mais competitivos, para o aumento da qualidade dos produtos e segurança alimentar, para a maior sustentabilidade e racionalidade no uso dos factores de produção, mas também para o aumento das exportações destas explorações, que sem tem reflectido nos números nacionais da nossa agricultura, refere uma nota de imprensa da AJAP.
“São números que nos orgulham é certo, mas mascaram a diminuição do peso das pequenas e médias explorações, contribuem para o abandono de muitas, tornando-as, obviamente, mais expostas a incêndios, conduzindo à ausência de rejuvenescimento, e mesmo nas explorações mais competitivas fica muito aquém do necessário. Temos de ter consciência que estes resultados são atingidos em áreas limitadas no País, reportando-se a pouco mais de 15% a 20% do território”, acrescenta.
Mas, adianta, “importa ter presente que a centralidade das medidas, e a sua aplicação em igualdade de circunstâncias em todas as regiões, apesar da existência de diferenciação pela aplicação da Valia Global da Operação (VGO), têm por vezes impactos mais positivos em determinadas regiões, e obviamente menos positivos, e quase sem aplicabilidade noutras”.
“É porventura difícil, fazer muito melhor, embora Portugal não sendo regionalizado, é descentralizado, e seria extremamente importante que essa descentralização fosse garantida, pelo menos parcialmente, em estratégias e numa gestão de fundos de nível regional, que atenda às particularidades e responda mais eficazmente às necessidades e desafios das várias agriculturas/territórios. Na prática, contribuindo para uma mais efectiva aplicação do princípio da subsidiariedade”, realça a mesma nota.
E salienta que “a pontuação dos projectos pela aplicação das VGO’s, em todo o País, impede que muitos agricultores, em inúmeras regiões, vejam as suas candidaturas aprovadas. Se continuarmos apenas a priorizar e valorizar alguns, com base em modelos centralizados, aumentamos o fosso, desde logo entre sequeiro e regadio, e entre muitas regiões tão díspares pela qualidade dos solos, topografias, declives e dimensão média das parcelas”.
Para a direcção da AJAP, “essas regiões mais desfavorecidas, de montanha, também denominados territórios de baixa densidade e vulneráveis, podem conciliar agricultura, pecuária, florestas e transformação, podem criar modelos de comercialização mais ajustados (Agrupamentos de Produtores Multiprodutos, por exemplo), podem organizar-se nas suas associações e cooperativas para poderem usufruir de tecnologias conjuntas, entre outras oportunidades de grande mérito”.
Em suma, “podiam ter resultados muito melhores, se existissem apoios com maior diferenciação, ou então pela abertura de avisos específicos”.
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AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
