A direcção da AJAP — Associação dos Jovens Agricultores de Portugal considera que a “forte aposta nos Jovens Agricultores por parte do actual Governo português, faz todo o sentido”, mas defende, relativamente às ajudas ao investimento, que estas “têm de ser mais robustas nos territórios onde a agricultura, floresta e pecuária é mais difícil (pela topografia, pela agressividade do clima, pela longevidade aos mercados, pela ausência de infra-estruturas colectivas, como o regadio)”.
“Nestas regiões a instalação de Jovens Agricultores tem de apostar na consociação entre a agricultura, pecuária (preferencialmente com raças autóctones) e floresta. Nestes territórios difíceis, os agricultores também são guardiões da natureza, da floresta e até ‘bombeiros de serviço’. Estamos convencidos que neste modelo de agricultura, associado a práticas de turismo rural, podem ambas as actividades complementarem-se e, no fundo, tornarem-se mais viáveis”, refere uma nota de imprensa da Associação.
Segundo a direcção da AJAP, “o sector agrícola está a complicar-se cada vez em toda a sua dimensão. São necessários investimentos cada vez mais avultados, as alterações climáticas cada vez agudizam mais a vida aos agricultores, os preços a que se comercializam as suas produções não acompanham o ritmo a que sobem os factores de produção (energia, fertilizantes, agroquímicos, medicamentos veterinários, entre outros)”.
Ou seja, “este é um sector extremamente delicado, exigente e que merece, dada a sua importância estratégica na produção de alimentos, no desenvolvimento dos territórios rurais, na manutenção da paisagem, da biodiversidade, dos ecossistemas e das áreas florestais, bem como na melhoria da coesão territorial, um posicionamento bem diferente na hierarquia de qualquer Governo”.
Realça a mesma nota que “a forte aposta nos Jovens Agricultores por parte do actual Governo Português, faz todo o sentido (o percentual de Jovens Agricultores em Portugal no total dos agricultores é de 3,7%, ao passo que para a média europeia, esse percentual é de 12%). Necessitamos de instalar mais Jovens Agricultores na maioria dos nossos modelos de agricultura, pois se o fizermos apenas nos modelos mais competitivos, por esta via, muito do nosso território é abandonado como infelizmente se tem verificado nas últimas décadas”.
Jovens Empresários Rurais
Para a AJAP, “facilmente se compreende que, em face da actual realidade dos territórios rurais, é necessário atrair e fixar mais pessoas, jovens e empresas. Mas temos de melhorar as condições de vida (habitação, saúde, acesso à internet), felizmente as nossas Aldeias, Vilas e Cidades estão organizadas graças ao trabalho dos autarcas, mas todo o ecossistema tem de participar e estar envolvido neste enorme desafio (atrair pessoas, jovens e empresas)”.
“A atracção de jovens não se apresenta fácil, mas parece-nos mais exequível se operacionalizarmos a figura do JER – Jovem Empresário Rural e estimularmos a inovação, o empreendedorismo e a utilização de novas ferramentas tecnológicas. Temos de equilibrar a interacção entre os territórios rurais e urbanos, divulgar o potencial destes territórios e melhorar, ano após ano, a sua atractividade, a criação de emprego, a procura turística, para quem procura turismo de natureza, ar puro, tranqüilidade, mas também para quem gosta de desportos de natureza e outros”.
Água que Une
A AJAP relembra ainda, na mesma nota, que a iniciativa ‘Água que Une’ (apresentada pelo XXIV Governo no final do seu mandato) “é extremamente pertinente, mais facilmente conseguimos atenuar catástrofes provocadas pelas cheias se guardarmos a maior capacidade possível de água a montante, através das barragens existentes e de novas barragens”.
“A água é essencial à vida das pessoas, plantas e animais, é necessária aos centros urbanos, periurbanos e rurais, é necessária para todas as actividades económicas, e necessariamente em maiores quantidades para o sector agrícola, que quase por ‘milagre’ transforma água em alimentos”.
A posição da AJAP surge após o Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, a convite do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, ter visitado a 17 de Fevereiro várias explorações agrícolas nos concelhos de Leiria e Pombal, duas das áreas mais afectadas pelo mau tempo.
Agricultura e Mar
AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
