A espanhola ASAJA — Associação Agrária de Jovens Agricultores manifestou-se hoje, 15 de Julho, em Bruxelas — tal como a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal —, frente ao Parlamento Europeu, com milhares de agricultores e representantes de toda Europa numa mobilização organizada pela Copa-Cogeca (cúpula dos agricultores europeus) e a FWA, em protesto pela proposta comunitária do Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia e com ele, a “dissolução” da Política Agrícola Comum (PAC) “tal como a conhecemos”.
“Em vez de uma política comum, com orçamento próprio na qual o Parlamento Europeu tem voz, a Comissão propõe integrá-la num fundo único multissectorial, gerido bilateralmente entre Bruxelas e os Estados-membros”, refere a organização em comunicado de imprensa.
Por isso, o presidente da ASAJA e vice-presidente do Copa, Pedro Barato, afirmou que a presidente Von der Leyen “quer enterrar a PAC, uma decisão política sem precedentes que põe em perigo a soberania alimentar da Europa e rompe o vínculo entre o campo e os cidadãos. Os agricultores e produtores pecuários não são o problema, mas sim a solução”.
Por sua vez, presidente da AVA-ASAJA — Associação Valenciana de Agricultores, Cristóbal Aguado, sublinhou que “a UE entra numa deriva de futuro incerto. Como ocorre há décadas, a Europa sacrifica o sector primário e depois outros cairão. É um projecto comunitário inacabado, sem objectivos nem rumo. A PAC é o escudo que protege a nossa alimentação, o nosso mundo rural e a nossa soberania. O que se vota em Bruxelas não é apenas um orçamento. É se a Europa quer continuar a alimentar-se internamente… ou depender de fora. Perante os tratados a que nos submetem, perante as importações não recíprocas, dizemos basta. A política agrícola não pode ser implementada sem orçamento, sem diálogo e sem ouvir aqueles de nós que vivem no campo”.
Segundo o mesmo comunicado, a ASAJA subscreve as duas principais linhas de denúncia da Copa-Cogeca. Por um lado, “o corte orçamental é inaceitável. Num momento de instabilidade geopolítica, pressão tarifária e crescente insegurança alimentar, a Comissão não pode cortar orçamento agrícola. A PAC não é uma ajuda ao agricultor e ao produtor pecuário, é uma garantia para o consumidor: alimentos seguros, sustentáveis e acessíveis”.
Por outro lado, “a nova estrutura liquida a coesão. Integrar a PAC num fundo comum rompe a unidade do modelo europeu e do mercado comum. Já não haverá política comum, nem Parlamento como co-legislador. Os agricultores perdem a voz. O Parlamento Europeu perde legitimidade. E os cidadãos, controlo democrático”.
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