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Acréscimo: biomassa florestal para produção de electricidade é aposta “pouco séria”

A Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal acusa de “pouco séria e nada transparente a aposta do Governo no uso da biomassa florestal para a produção de energia eléctrica”. Segundo a direcção da associação, a capacidade instalada, quer em centrais a biomassa florestal residual, quer em unidades de produção de pellets de madeira, “há muito que ultrapassa a disponibilidade anual de biomassa florestal residual”.

Ou seja, diz um comunicado da Acréscimo, “já no presente, mas com maior impacto no futuro próximo, tais unidades só serão viáveis pela utilização de troncos de árvores ou pela instalação de monoculturas de espécies dedicadas à produção energética. Por outro lado, a ocorrência de incêndios florestais constitui uma importante fonte de garantia de matéria prima a estas unidades. Importa ter ainda em conta que as unidades que o Governo anuncia estimular só têm viabilidade financeira se apoiadas duplamente pelo erário público. Seja através do apoio público na obtenção da matéria prima, seja ao nível de apoios à tarifa eléctrica”.

Opções

Diz o mesmo comunicado que, “se a intenção do Governo é intervir na redução da carga combustível nas florestas, existem opções significativamente menos onerosas e até sem custos para o erário público”. No mesmo comunicado salienta que “importa assim que o Governo esclareça a sua opção pelo apoio público a centrais termo-eléctricas de transformação de biomassa de origem florestal, que afirmam ser residual, face a outras alternativas”.

Para a Acréscimo, se a intenção do Governo passa pela “afectação de milhões de euros para protecção à actividade económica associada à silvicultura e a regiões de forte ocupação florestal, existem opções de maior urgência”. E diz que para a protecção imediata à actividade económica associada à silvicultura, “urge a tomada de medidas ao nível do controlo da oferta. A criação de estufas de preservação da madeira ardida é fundamental para assegurar uma gradual entrada nos mercados dessa madeira, impedindo a queda brusca do seu preço. Essa medida é ainda mais premente ao nível da madeira ardida em áreas públicas, muita dela de maior valor comercial e para não afectar ainda mais o escoamento da madeira ardida dos proprietários privados”.

Ao nível da protecção da actividade económica em regiões de forte ocupação florestal, também para segurança das populações, “os montantes que o Governo pretende atribuir às bioenergias, podem ser utilizados no reforço à protecção de encostas e cursos de água, prevendo futuras catástrofes associadas a deslizamentos de terras e cheias”, dizem os responsáveis pela associação.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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