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Acréscimo acusa indústria papeleira de estratégia ambiental e económica “irresponsável”

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A Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal diz que os “protestos da indústria papeleira à contenção da expansão do eucalipto em Portugal confirmam estratégia social, ambiental e economicamente irresponsável”.

Por sua vez, a indústria papeleira salienta o facto de Portugal importar entre 150 a 200 milhões de euros por ano de madeira de eucalipto. Diz a CELPA – Associação da Indústria Papeleira que limitar a matéria-prima “mais importante da indústria papeleira é afectar de forma dramática a sua competitividade e a balança comercial do País”.

Mas, os responsáveis pela Acréscimo dizem que “há muito” que têm “vindo a denunciar a estratégia que a indústria papeleira protagoniza em Portugal. Trata-se de uma estratégia de condicionamento de preços da rolaria de eucalipto à oferta, baseada em quantidade de área sem aumento da produtividade unitária”. Ou seja, no “estímulo ao crescimento descontrolado da oferta para, assim, assegurar o controlo das despesas com a compra de matéria prima lenhosa à produção nacional”.

Para a Acréscimo, é com base na expansão de uma “oferta de risco, de rendimento condicionado unilateralmente pela procura, com impacto sobretudo em áreas de minifúndio, onde a produção não possui poder de negociação de preço, que a indústria papeleira faz assentar os seus projectos de aumento da capacidade industrial no País”.

Todavia, refere um comunicado da associação, à medida que aumenta essa capacidade, “aumentam os riscos associados ao eucaliptal em Portugal (com a 5.ª maior área deste tipo de plantações a nível mundial)”. Estratégia que diz “tem tido o aval das várias governações”.

Acontece que, diz a Acréscimo, o condicionamento do rendimento à oferta tem “impacto determinante na gestão destas plantações e, consequentemente, na prevenção dos riscos, sejam os associados aos incêndios, mas também à proliferação de pragas e de doenças (que abundam no eucaliptal em Portugal)”. E realça que os “vários Inventários Florestais Nacionais expressam a má gestão dos eucaliptais em Portugal”, frisando que esta estratégia industrial tem “forte impacto sobre terceiros, a começar junto das populações rurais”.

Área ardida

Em 2016, a área ardida em plantações de eucalipto equivale a seis vezes a área da cidade de Lisboa. Essa área corresponde a cerca de 70% da área ardida em povoamentos florestais e a cerca de 40% da área rural que foi vítima dos incêndios no ano passado, segundo os dados da Acréscimo.

A tendência de crescente expressão da área ardida em plantações desta espécie exótica invasora “tem-se vindo a acentuar significativamente com a expansão da mesma em Portugal. Acrescem, no futuro próximo, os riscos associados às alterações climáticas”, acrescenta a mesma nota.

CELPA diz que apenas 13% da área ardida é de eucalipto

Relembre-se que na passada semana a CELPA – Associação da Indústria Papeleira tomou posição contra a proibição de plantação de novas áreas de eucalipto, dizendo que “reduz as áreas com gestão, promove o abandono e o crescimento de áreas de matos e incultos e aumentará o risco de incêndio (49% da área ardida nos últimos 15 anos são matos ou incultos e 13% são eucalipto)”.

A indústria papeleira salientou ainda o facto de Portugal importar entre 150 a 200 milhões de euros por ano de madeira de eucalipto, “valor que tenderá a aumentar, riqueza que poderia ser distribuída pelos milhares de produtores e prestadores de serviços florestais a actuar no sector florestal no nosso País”.

Para a Celpa, limitar a matéria-prima “mais importante da indústria papeleira é afectar de forma dramática a sua competitividade e a balança comercial do País” e a “proibição irá destruir milhares de postos de trabalho nas actividades de silvicultura, grande parte em regiões fortemente deprimidas, em que as alternativas de emprego são muito limitadas”.

Agricultura e Mar Actual

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