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A Agricultura que a chuva permitir

Opinião de Ricardo Nogueira Martins, Investigador colaborador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho

A variabilidade e aleatoriedade climática tem colocado tensão nas agriculturas de Portugal e do espaço internacional, assente em cenários de previsão que indicam que os padrões de precipitação estão a mudar, tornando em geral as regiões húmidas da Europa mais húmidas e as secas mais secas. A tudo isto, associam-se às oscilações térmicas com impacto directo na redução da produção pelo stress térmico e hídrico provocado nas plantas.

A agricultura de sequeiro, dependente das variabilidades e condições climáticas, realiza-se em solos cuja qualidade não garante os nutrientes necessários para uma cultura exigente em água, dependendo, grosso modo, da água da chuva, fazendo o uso da humidade existente no solo. Se por um lado, permite uma produção agrícola resiliente não dependente da irrigação, torna-se pouco competitiva com rendimento económico por unidade de área diminuto comparada às culturas regadas.

Assim, mais e melhor sequeiro significa preocuparmo-nos com o risco de Primaveras muito secas e quentes.

Num cenário de escassez de água, o regime de sequeiro é a alternativa sustentável para almejar produzir com menos água, pese embora, a necessidade de projectos de fomento hidroagrícola que permita captar e armazena as águas da chuva, em charcas, tanques ou poças para utilização em cenários de crise,

A agricultura de sequeiro, que em Portugal ocupa 59,4% da SAU, pode ser encarada como oportunidade de coesão territorial, permitindo aos territórios do interior, naturalmente mais quentes secos e mais frios, diminuir o declínio populacional e impulsionar o estímulo económico, almejando equilibrar o VPPT atingido por hectare de SAU que, nas explorações predominantemente de regadio, é seis vezes maior do que o alcançado pelas explorações exclusivamente de sequeiro.

Como investimento contínuo deste regime, o melhoramento genético das culturas permanentes de sequeiro e a criação de novos cultivares de cereais, leguminosas secas e tubérculos de ciclo precoce e tolerantes à seca e ao calor, bem como, a reactivação das variedades tradicionais mais rústicas melhor adaptadas a situações de stress hídrico e térmico, acompanhado da criação do Centro de Competências para o Sequeiro Nacional, parece-me primordial.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

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