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Sovena vai continuar a investir em novos olivais super-intensivos

A Sovena, líder mundial na venda de azeite e um dos maiores produtores de azeite em Portugal vai continuar a investir em novos olivais, super-intensivos, porque o consumo mundial de azeite ainda tem um caminho grande a percorrer.

Em entrevista à organização da 6ª edição da AgroGlobal – Feira das Grandes Culturas realiza-se de 5 a 7 de Setembro de 2018, em Valada do Ribatejo, Luís Folque, administrador da Sovena, diz que “se há 10 anos tínhamos algumas dúvidas sobre o modelo de plantação, neste momento para nós está claro que o olival em sebe, ou de alta densidade, é aquele que nos garante maior sustentabilidade, tanto ambiental, como económica”.

Luís Folque adianta que o “olival é nas culturas de regadio das consome menos água e com uma pegada de carbono bastante boa. A colheita do olival em sebe é totalmente mecanizada, não exige quase nenhuma mão-de-obra primária, por aqui também vemos uma evolução bastante positiva do modelo de produção super-intensivo”.

12.000 hectares de olival em Portugal

O Grupo Sovena iniciou as plantações próprias há 10 anos e tem actualmente 12.000 hectares de área bruta em Portugal, dos quais 10.500 hectares com olival plantado.

“Tem sido um crescimento paulatino, mais lento nos últimos anos, devido à maior dificuldade em encontrar as terras e as condições ideais para fazer este tipo de investimento, que é caro. No futuro estaremos atentos e sempre que houver condições para investir, dentro dos nossos parâmetros, avançaremos”, garante o administrador da Sovena.

Seca preocupante

Quanto à situação de seca que tem assolado o País, diz Luís Folque que “é algo que nos preocupa, pois a água é essencial à boa produtividade dos olivais. Trabalhamos diariamente para melhorar a utilização da água, o nosso objectivo é usar a menor quantidade de água para a máxima produção de azeite”.

Acrescenta aquele responsável que Portugal deve estudar as hipóteses de investimento em novos regadios e na melhoria dos existentes. “Alqueva é um projecto dos anos 50 e não existem desde essa época outros projectos estruturantes de regadio em Portugal”, refere.

Para Luís Folque, “a área regada em Portugal é francamente diminuta, há uma parte importante do País com boa terra e que se lhe chegasse a água poderia também produzir e aumentar muito a produtividade. Aquilo de que há muito tempo se fala, atingir a auto-suficiência em termos de produção agrícola, poderia ser finalmente alcançado”.

Preços historicamente altos

Quanto ao ciclo de alta de preços do azeite, o administrador da Sovena realça que “estamos numa fase de preços historicamente altos e, por isso, é natural que se siga uma fase de preços mais baixos e com um incremento de novos mercados e do consumo de azeite a nível mundial.

Explica Luís Folque em entrevista à AgroGlobal que, nos últimos 50 anos “é a primeira vez que o preço do azeite está a um nível tão alto durante tantos anos seguidos. Mais ou menos de 10 em 10 anos surge um pico do preço do azeite que dura um ano, foi assim em 1995 e em 2005, mas agora estamos há 3 anos com o preço acima dos 3€/kg”.

Preços altos chamam novas áreas a entrar em produção,

Mas, diz o administrador da Sovena, “se olharmos à evolução do consumo e da produção, vemos que é um mercado de push and pull: preços altos chamam novas áreas a entrar em produção, que a la longue vão dar algum excesso de azeite e preços mais baratos no mercado, que por sua vez vão impulsionar o consumo e facilitar a penetração em novos mercados e cativar novos consumidores”.

Para aquele responsável, “é mais fácil entrar em mercados novos quando o azeite está só 4 vezes mais caro do que um óleo básico, do que quando está 10 vezes mais caro”.

Oportunidades na China

Mas, pode o consumo de azeite continuar a crescer? Luís Folque garante que “o consumo de azeite ainda tem um caminho grande a percorrer. É o caso da China, consome metade do volume total que consome Portugal — é algo que dá que pensar. Mas tem-se visto um aumento sustentado do consumo de azeite no mercado chinês”.

“A Índia, que é outro núcleo potencial de consumo relevante a nível mundial, vai mais devagar. Como caso mais consolidado temos os EUA, que há 20 anos consumia muito pouco azeite, e hoje em dia é o terceiro maior consumidor mundial”, acrescenta Luís Folque.

Óleo de girassol

Mas, a Sovena não produz apenas azeite. “Transformamos sobretudo girassol, mas também, em menor escala, colza e soja, entre outras oleaginosas. Vendemos 500 mil milhões de litros de óleos a nível mundial. Em Portugal compramos matéria-prima para apenas 50 milhões de litros, é muito pouco”, diz o administrador da Sovena.

Portugal não é o ideal para produção de oleaginosas

E adianta que Portugal “não tem as condições ideais para a produção de oleaginosas, comparativamente a outros países do Centro e Norte da Europa, apesar de as oleaginosas serem culturas que entram bem em rotação com outras culturas, em casos específicos”.

Por outro lado, Luís Folque diz que “é previsível a diminuição da área plantada com colza (já plantada no Outono). Já no girassol parece haver maior disponibilidade de área. Vamos ver o que se concretiza, pois é agora que os agricultores começam a tomar as decisões de plantação”.

Agricultura e Mar Actual

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Um comentário

  1. Super intensivo e sustentabilidade ambiental não ficam bem na mesma frase. É absurdo o que estes olivais estão a fazer ao país. Nem sequer dão emprego às populações. As máquinas são importadas, assim como o diesel e mais o resto dos químicos com que se traca esta guerra com a natureza, Destroem as terras e a vida no subsolo e quando arrancam o olival e partem deixam apenas água envenenada às comunidades. Isto tudo em nome das exportações e da prosperidade de meia dúzia de pessoas já privilegiadas.

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