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Reserva Natural das Berlengas mostra colónia de cagarras

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) organiza as Comemorações do Aniversário da Reserva Natural das Berlengas, que terá lugar no próximo dia 3 de Setembro, quinta-feira, pelas 11h30. E convida a população a estar presente para uma visita à colónia de cagarras e passeios de caiaque.

A inscrição é obrigatória.

Dia da Reserva Natural das Berlengas
Quando: 2015-09-03
Onde: Reserva Natural das Berlengas
Telefone do Contacto: +351 262 787 910

O ICNF destaca que a importância das Berlengas, enquanto ecossistema insular, o valor biológico da área marinha envolvente, o elevado interesse botânico, o papel da ilha em termos de avifauna marinha e a presença de interessante património arqueológico subaquático. Diz que são factores que pesaram na classificação do arquipélago como Reserva Natural (Decreto-Lei nº 264/81, de 3 de Setembro).

A Reserva Natural das Berlengas compreende uma área muito vasta de reserva marinha situada na envolvente do arquipélago. O arquipélago oceânico é composto por numerosas ilhas e rochedos de contorno irregular, com encostas escarpadas, dispostas em três grupos: a Berlenga, as Estelas e os Farilhões-Forcadas.
A ilha da Berlenga é um possante bloco granítico ancorado a poucas milhas da costa, a noroeste do Cabo Carvoeiro. O tempo infligiu-lhe visível corrosão.

Os carreiros do Mosteiro e dos Cações estrangulam-na de forma evidente sugerindo a existência de duas ilhas. No ponto mais alto da ilha ergue-se o farol. O mar envolvente, sempre celebrado pela sua transparência, é habitado por variados peixes, alberga moluscos e crustáceos bem como numerosas espécies de algas.

Os pescadores foram e são uma presença constante no arquipélago das Berlengas. Inicialmente, abrigavam-se nas grutas naturais, mas hoje habitam, sazonalmente, as casas situadas na encosta sul da Ilha Velha.

Algumas das espécies de flora presentes nesta Reserva são únicas na Terra, outras, têm distribuição muito restrita. Na Berlenga Grande foram inventariadas mais de uma centena de espécies botânicas, de porte herbáceo e arbustivo. A quase ausência de espécies arbóreas explica-se pela dificuldade de instalação, devido à falta de solo e aos ventos fortes carregados de sal. Ocorrem na ilha diversos endemismos florísticos como a Armeria berlengensis, a Pulicaria microcephala e a Herniaria berlengiana.

Devido à antiguidade e isolamento da ilha e às particularidades do substrato rochoso, aquelas plantas adquiriram características que as tornam diferentes das congéneres continentais. Destacam-se ainda duas espécies endémicas do litoral ibérico: Echium rosulatum e Scrophularia sublyrata, bem como uma espécie endémica do litoral galego e português, a Angelica pachycarpa.

Dependendo as aves marinhas do sustento que o mar lhes fornece, facilmente se compreende a importância deste arquipélago. No mar buscam o alimento e na ilha encontram o refúgio ideal para a reprodução.

Algumas aves ocorrem ocasionalmente na ilha, utilizando-a como escala nas suas migrações, outras apresentam populações nidificantes estáveis. Por exemplo, a pardela-de-bico-amarelo Calonectris diomedea apenas ali permanece durante o período de nidificação, enquanto o corvo-marinho-de-crista ou “galheta” Phalacrocorax aristotelis está presente todo o ano.

O airo Uria aalge, semelhante a um pequeno pinguim, é o símbolo da Reserva Natural das Berlengas. Nidifica em colónias e cada fêmea deposita o seu único ovo em pequenas prateleiras nas escarpas inacessíveis às pessoas. Outrora numerosos, encontram-se, actualmente, em acentuado decréscimo.

Nidificam ainda na ilha a gaivota-de-asa-escura, Larus fuscus, e a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, cuja população atinge números tão elevados que já se tornou indispensável a intervenção humana no sentido de corrigir o efectivo da espécie para evitar a degradação do ecossistema insular.

A ilha da Berlenga Grande foi ocupada no início do século XVI por uma comunidade de frades jerónimos que aí edificou o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga para auxílio aos náufragos. No entanto, os ataques de corso afastaram os frades do arquipélago e, em meados do século XVII, D. João IV ordenou a edificação de uma fortaleza, com o objetivo de reforçar a defesa da cidadela de Peniche. Foi então edificado o Forte de São João Baptista, sobre um ilhéu junto à enseada da ilha e a ela ligado por uma ponte de alvenaria.

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