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Regantes querem investimento no território rural através da taxa de recursos hídricos

A Fenareg – Federação Nacional de Regantes de Portugal, presidida por José Núncio, reclama “investimento para os recursos hídricos do território rural, através do fundo da TRH, para o qual também contribui” a agricultura.

E o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, falou com o sector agrícola e defendeu “repatriar a TRH para quem a paga”.

A ajudar a pretensão da Fenareg está também o Professor Francisco Nunes Correia, considerado o “pai” desta taxa, que afirmou que “em Portugal não há uma taxa, há um imposto. Foi nisto que a TRH se tornou”.

“A taxa recolhe anualmente cerca de 40 milhões da utilização do recurso água. Serve para pagar salários de uma administração que hoje vai muito para além das questões da água, para compensar o défice tarifário dos sistemas urbanos de água e para projectos da própria administração, que maioritariamente têm sido destinados às cidades e ao litoral”, afirma um comunicado da Fenareg.

Recorde-se que, a 1 de Julho de 2008, entrou em funcionamento a taxa de recursos hídricos, conhecida como TRH. Investir na melhoria dos recursos hídricos, assim foi “anunciada” há 10 anos a TRH, com retorno de 50% da taxa através de um fundo que estaria acessível aos utilizadores por processo de candidatura.

Investimento no território rural

Diz a Fenareg que “é verdade que também o agricultor beneficia das cidades e das praias, mas é no campo que desenvolve a sua actividade, a qual depende da água, em quantidade e com qualidade, para produzir alimentos. Também destes recursos hídricos importa cuidar para o futuro e, por isso, a agricultura reclama investimento para os recursos hídricos do território rural, através do fundo da TRH, para o qual também contribui”.

A Fenareg, que tem acompanhado a evolução deste tema, assistiu ao seminário sobre os 10 anos de TRH, no dia 22 de Novembro, organizado pela CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal, com apoio da APRH — Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, e onde Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, falou com o sector agrícola e defendeu “repatriar a TRH para quem a paga”, reforçando o que havia dito no VII Congresso Nacional de Rega e Drenagem, a 27 de Junho 2018, em Monte Real e ficou a promessa pela APA de um debate, em breve, sobre a TRH.

A taxa TRH tornou-se num imposto

Por sua vez, o Professor Francisco Nunes Correia, considerado o “pai” desta taxa, disse que “em Portugal não há uma taxa, há um imposto. Foi nisto que a TRH se tornou”, descrevendo todo o modelo em que ela se inseria e que colapsou, subsistindo apenas a TRH.

Já Sérgio Vasques, da Católica Global School of Law esclareceu que “esta taxa está, em teoria, em violação do art. 13.° da Constituição, na consignação da receita”.

TRH foi desvirtuada

“A TRH foi desvirtuada e é necessário corrigir o que está a ser feito: a monitorização dos recursos hídricos continua com graves deficiências e a Administração afastou-se da gestão da água. A fraca monitorização, os problemas de poluição e o controlo insuficiente, são falhas bem evidenciadas pela situação do ano passado, de seca extrema”, realçam os responsáveis pela Fenareg.

A importância de ter rios regulados nas bacias hidrográficas do mediterrâneo são factores centrais para a sustentabilidade ambiental e para a adaptação às alterações climáticas, defendem os utilizadores agrícolas.

A Fenareg reclama retorno no pagamento da TRH e uma aposta forte em investimentos na melhoria dos recursos hídricos no território rural, com medidas que tenham em conta um futuro sustentável para a agricultura, enquanto actividade estratégica para Portugal e que depende naturalmente da água.

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