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Produtores querem leite com preço justo na Europa e mais jovens no sector

A Aprolep — Associação dos Produtores de Leite de Portugal, em colaboração com a AJADP- Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, organizou a 23 de Novembro 2018, na Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, o 1.º Colóquio Nacional do Leite, onde participam cerca de 300 produtores, técnicos e especialistas.

Na sessão de abertura o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, defendeu que o sector leiteiro deve adoptar um “novo posicionamento estratégico para a internacionalização” como forma de sair do ciclo vicioso de preços baixos à produção.

“Temos de dar o nosso contributo, com fundos mutualistas onde todos contribuam de forma equitativa para a internacionalização do sector. O próximo QCA será uma grande oportunidade”, afirmou Miguel Freitas.

Instalação de jovens na produção de leite

A mesa redonda “Instalação de jovens na produção de leite” iniciou-se com um facto preocupante, a falta de rejuvenescimento do sector: desde 2014 instalaram-se na produção de leite muito poucos jovens, uma percentagem muito baixa no total de investimento de jovens agricultores em Portugal, no âmbito do PDR 2020 — Programa de Desenvolvimento Rural.

“Os jovens não têm estabilidade financeira de longo prazo para investir, a submissão dos projectos de investimento (ao PDR 2020) é complexa e os pagamentos demorados”, apontou Marisa Costa, jovem produtora de leite e membro da direcção da Aprolep.

Distribuição na produção de leite

A questão da entrada da grande distribuição na produção de leite (fábrica Jerónimo Martins em Portalegre) e a recente compra directa do leite por parte do grupo JM a produtores na bacia leiteira do Minho surgiu no debate.

O representante da Agros, José Campos, disse que “todos são bem-vindos desde que acrescentem valor à produção e mais tarde não abandonem os produtores, como já aconteceu com outras experiências”.

Já Marisa Costa, que considera positiva a chegada de um novo comprador, deixou no entanto um alerta: “os produtores que queiram mudar de comprador devem salvaguardar-se e ler os contratos com muita atenção”.

Leite Justo, experiência belga a replicar

Por outro lado, “A experiência do leite justo na Europa”, relatada por Erwin Shopges, presidente da Associação Europeia de Produtores de Leite (EMB) e da cooperativa belga Faircoop, prendeu a atenção da plateia.

Esta cooperativa criou em 2010 uma marca própria de leite e lacticínios – a Fairebel – que pertence aos 500 produtores de leite seus associados, com o objectivo de obter uma remuneração mais justa ao produtor.

Em 8 anos passou de 800 mil para 10 milhões de litros de leite justo vendido na Bélgica, graças a uma forte campanha de marketing junto do consumidor final, envolvendo directamente os produtores de leite em acções promocionais.

“Não queremos viver de ajudas públicas, queremos viver da produção de leite. É preciso que o preço do leite cubra os custos de produção, incluindo um salário justo para o agricultor. Apelo às associações portuguesas que se juntem a nós para mudarmos a política europeia, implementando mais projectos de leite justo na Europa e um programa de responsabilidade do mercado”, afirmou Erwin Shopges.

Cooperativismo e a redução de custos

No terceiro e último tema do colóquio, “Cooperativismo e a redução de custos de produção”, os oradores foram unânimes quanto à urgência de um modelo cooperativo mais eficiente, com cooperativas leiteiras de maior dimensão, que tenham mais poder negocial junto dos fornecedores de factores de produção e dos compradores do leite.

Em Portugal já só existem 4.000 produtores de leite e a tendência é de redução, é preciso cooperativas fortes que defendam o bem comum dos produtores de leite. Se não formos nós, não serão os privados a defender os nossos interesses”, disse Pedro Pimenta, presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra.

Na sessão foi apresentado por representantes de cooperativas galegas, o modelo adoptado na Galiza onde nos últimos anos ocorreram fusões de diversas cooperativas.

A sessão de encerramento foi presidida pelo director Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Manuel Cardoso. O colóquio terminou com um brinde ao leite e um lanche com produtos lácteos.

A Aprolep e a AJADP “agradecem o apoio da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, da Caixa de Crédito Agrícola de P. Varzim, Vila do Conde e Esposende e das empresas patrocinadoras: Harker Sumner, Syngenta, Affimilk, Nutrinova, Vaca de Socas, Dupont Pioneer, Socidias, Torre Marco e Consulai”.

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