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Foto de Carlos Carrapato

Pesca Saramugo? É a espécie mais ameaçada do nosso País

O Saramugo (Anaecypris hispanica) é o peixe de água doce mais ameaçado do nosso País. É exclusivo do Sul da Península Ibérica, estando classificado como “Criticamente em perigo” (CR) pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e “Em perigo” a nível mundial. Quem o diz é a Liga para Protecção da Natureza (LPN).

O Projecto LIFE “Conservação do Saramugo na Bacia do Guadiana, visa a conservação das populações de Saramugo em Portugal, com o intuito de salvaguardar a sobrevivência desta espécie, travando a tendência de declínio que se tem vindo a verificar.

Ainda o pesca?

Este peixe caracteriza-se por ser o mais pequeno da nossa fauna dulçaquícola autóctone, raramente ultrapassando os 7cm de comprimento. A sua coloração caracteriza-se por tons prateados e rosados com pontuações negras nos flancos. Possui uma cabeça pequena, com olhos grandes e a sua boca é supra3. Alimenta-se essencialmente de invertebrados, plantas, algas e detritos e tem um ciclo de vida curto, com uma longevidade máxima registada na natureza de 3 anos.

Esta espécie ocorre apenas na bacia hidrográfica do Guadiana e num troço do Guadalquivir. Actualmente a sua distribuição em Portugal está fortemente fragmentada havendo registos da sua presença em apenas 5 sub-bacias do Rio Guadiana: Ardila, Chança, Vascão, Foupana e Odeleite.

A nível nacional as populações desta espécie apresentam um declínio continuado, sendo que em 2005 estimava-se um efectivo populacional de cerca de 10.000 indivíduos, prevendo-se que a população decrescesse cerca de 80% num período de dez anos.

Desde 2014

O Projecto LIFE Saramugo teve início em Julho de 2014 e tem a duração de 3 anos e meio, sendo coordenado pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em parceria com diversas instituições públicas e privadas, designadamente a Universidade de Évora (UÉvora), o Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e a AQUALOGUS.

Este projecto será implementado em 3 sub-bacias do rio Guadiana (Xévora, Ardila e Vascão), nos Sítios de Importância Comunitário (SIC) da Rede Natura 2000 do Vale do Guadiana, Moura/Barrancos e São Mamede.

Os principais objectivos passam pela actualização da situação populacional da espécie, reabilitação do habitat de modo a permitir futuras reintroduções ou reforços populacionais, demonstração de técnicas de remoção e controlo da expansão de espécies exóticas, diminuição de focos de poluição resultantes da actividade agropecuária e ainda clarificação das ameaças que possam advir da coexistência do Saramugo e do Alburno (espécie exótica detectada nos últimos anos na bacia do Guadiana).

O Projecto LIFE Saramugo inclui também uma componente muito forte de informação e sensibilização das populações locais e dos intervenientes directos na gestão do habitat no território do Saramugo.

Situação do Saramugo

Na primavera de 2015, técnicos dos vários parceiros da LPN, percorreram as ribeiras afluentes do rio Guadiana procurando detectar a presença do Saramugo.

Este estudo incidiu sobre as sub-bacias com presença histórica da espécie desde 1980, nomeadamente as ribeiras do Caia, Xévora, Degebe, Álamo, Ardila, Chança, Carreiras, Vascão, Foupana e Odeleite. “O objectivo deste estudo foi o levantamento e actualização da situação populacional do Saramugo, quer em termos de distribuição e abundância, quer em termos dos factores de ameaça, identificando assim o estado de conservação das ribeiras”, diz a LPN.

A análise da informação recolhida aponta para uma acentuada regressão da distribuição do Saramugo, uma vez que a espécie foi detectada apenas em cinco das dez sub-bacias indicadas anteriormente e em número significativamente reduzido.

“Os factores de ameaça identificados nesta monitorização mantêm-se os mesmos já referidos no passado, onde se destacam a presença de gado no leito das ribeiras, a presença cada vez mais significativa de peixes exóticos, défice de vegetação ribeirinha e a utilização abusiva da água dos pegos durante o período de Verão”, adianta a LPN.

“Os trabalhos de monitorização no âmbito deste estudo continuarão em 2016, procurando através de outras técnicas, confirmar a ausência da espécie nos locais onde esta não foi detectada”, diz a LPN.

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