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Olival de regadio no Alentejo aumentou produtividade de azeitona mais de 6 vezes nos últimos 18 anos

A alteração da tipologia de olival no Alentejo, com a instalação de olivais modernos e eficientes de regadio, permitiu aumentar a produtividade mais de 6 vezes nos últimos 18 anos, estando a média regional perto das 3 toneladas de azeitona por hectare.

“No entanto, nos olivais modernos instalados, em plena produção, obtêm-se produtividades médias de 10 a 12 toneladas por hectare, pelo que se espera um crescimento muito acentuado da produtividade regional (e, por arrasto, da produtividade nacional) de azeitona”, refere o estudo “Alentejo: A Liderar a Olivicultura Moderna Internacional”, apresentado a 26 de Novembro, durante a VI Edição das Jornadas da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul.

E realça o estudo, coordenado pela Consulai, consultora especializada no sector agro-alimentar, e por Juan Vilar – Consultores Estratégicos, que “muitos dos olivais recentemente instalados ainda não atingiram a plena produção”.

Crescimento de 10%

O olival alentejano passou de 172 mil hectares, em 2007, para 188.500 hectares, em 2018, o que representa um crescimento de cerca de 10%.

Há 20 anos, o olival moderno representava apenas 6.000 hectares; hoje em dia, representa 82% do total da área de olival, com a incorporação de novas áreas de regadio, sobretudo de Alqueva, e da transformação de olivais tradicionais em olivais modernos.

Alentejo, o maior produtor de azeitona

Esta alteração de tipologia de olival permitiu afirmar o Alentejo como a região do País com maior produção de azeitona, tendo representado, em 2018, mais de 75% do total de azeitona produzida a nível nacional (em 1999, representava cerca de 25% do total nacional).

O efeito Alqueva

Pode ainda ler-se no estudo que, em Agosto de 2019 estavam inscritos 55.185 hectares de olival nos aproveitamentos hidroagrícolas do EFMA — Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (Fonte: EDIA, 2019). E mais de 90% do olival em Alqueva é olival moderno.

A zona de Alqueva, há duas décadas atrás, já contava com cerca de 40 mil hectares de olival, pelo que, na maioria da área, assistimos a uma reconversão do sistema de produção, passando de olival tradicional a olival moderno, e, na restante área, a um crescimento do olival em zonas anteriormente de sequeiro e que passaram a ser irrigadas com a implementação do projecto do EFMA.

“Do ponto de vista económico assistimos a uma verdadeira revolução; em poucos anos a cadeia de valor do azeite passou a valer cerca de 450 milhões de euros, sobretudo devido a melhorias na eficiência, gestão, profissionalização e optimização da cultura e dos processos. Esta maior geração de riqueza teve efeitos sociais muito positivos, contribuindo para a fixação de pessoas”, realça ainda o estudo.

Espanhóis já não lideram em Alqueva

O olival tem sido a cultura que tem atraído mais investimento externo, em particular na região de Alqueva, factor essencial para o desenvolvimento da economia nacional. Os espanhóis foram os principais impulsionadores da primeira fase de expansão dos olivais modernos na região, tendo trazido conhecimento e tendo sido muito úteis para demonstrar aos agricultores nacionais que era possível fazer diferente.

Com a expansão do regadio de Alqueva e com a curva de experiência da região, o investimento na cultura passou a ser liderado por empresários nacionais.

Por exemplo, em 2016, mais de 60% do olival no EFMA era promovido por investidores portugueses, existindo uma diversidade muito grande de nacionalidades de investidores olivícolas na região.

No conjunto do investimento agrícola do Alentejo, que já corresponde a 655,7 milhões de euros, o olival representa 64,39% do total do investimento apresentado no Alentejo, demonstrando a sua importância na modernização do sector.

É ainda de realçar o peso do investimento em olival na região de Alqueva, que representa 46,57% do investimento total agrícola no Alentejo, sendo 45% desse investimento realizado por jovens agricultores.

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