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Ministra da Agricultura destaca valorização dos produtos endógenos para levar a marca de “Portugal” além-fronteiras

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, marcou hoje, 28 de Novembro, presença na XX Feira do Montado, em Portel. Durante a sessão de abertura, Maria do Céu Albuquerque fez uma intervenção direccionada para a valorização dos montados de sobro e azinho nas suas várias vertentes.

A ministra destacou a forte aposta na valorização dos produtos endógenos e que representam “a aposta na marca “Portugal” que é reconhecida além-fronteiras pelos melhores motivos. É preciso manter os nossos territórios vivos. O nosso território, o Portugal profundo, está cheio de iniciativas promovidas pelas autarquias que querem valorizar os seus produtos, as suas tradições, as suas pessoas e com isso acrescentar valor à economia local e criar as melhores condições de vida a quem servem. Por isso, a valorização do montado é, para esta região, determinante, até porque tem um potencial imenso não só para a economia, mas também para a valorização das pessoas”.

A XX Feira do Montado é organizada pela Câmara Municipal de Portel, presidida por José Manuel Grilo, e ocorre de 28 de Novembro a 1 de Dezembro.

O evento arrancou com o Colóquio “O Empreendedorismo — A Formação e Contratação nas Boas Práticas do Montado”, numa organização conjunta entre a Terras Dentro, o ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a autarquia de Portel.

Pode consultar o programa completo da XX Feira do Montado aqui.

Agricultura competitiva e amiga do ambiente

Maria do Céu Albuquerque reafirmou que este Governo acredita “num modelo de agricultura pujante, competitiva, mas que seja também amiga do ambiente, preparada para o mercado e que crie emprego. Mas esta agricultura competitiva só pode sair reforçada se também der espaço a uma agricultura que esteja relacionada com o desenvolvimento rural, com a valorização da actividade agrícola de pequena dimensão, familiar e também para a agricultura biológica.

A Feira do Montado é uma iniciativa com duas décadas de história e envolve produtores de várias gerações. Foi neste sentido que Maria do Céu Albuquerque destacou o sector da agricultura, como um sector que quer renovar-se, garantir a continuidade e que assim responde aos desafios a que o Governo se propõe na próxima legislatura.

Agricultura familiar e biológica

“Isso faz-me crer que vamos contar com a agricultura na resposta às questões demográficas que enfrentamos, contrariando o despovoamento e contribuindo para um desenvolvimento coeso do território. Um desenvolvimento que nos permita combater as desigualdades e incentivar outras modalidades de agricultura como a agricultura familiar e a agricultura biológica”.

“Queremos que as ferramentas tecnológicas utilizadas possam chegar a todos, queremos que a capacitação seja transversal e que a partilha de conhecimentos seja uma realidade. E a agricultura já o está a fazer, mas tem de sair reforçada”, afirmou o membro do Governo.

Alterações climáticas

Ainda segundo a ministra da Agricultura, “a agricultura é um dos sectores da economia que está mais exposto aos riscos associados às alterações climáticas, às catástrofes naturais cada vez mais frequentes e com impactos negativos no rendimento agrícola, e à degradação do capital natural, de que são exemplos a degradação do arvoredo, a erosão e a perda de produtividade do solo ou a escassez de água”.

Por isso, diz Maria do Céu Albuquerque que “é, então, fundamental que, cada vez mais, a exploração agrícola tenha capacidade para reagir às adversidades climáticas. É preciso disponibilizar mecanismos que permitam criar a sustentabilidade ambiental. Só garantindo a sustentabilidade ambiental, é que podemos garantir a sustentabilidade agrícola, a sustentabilidade económica e, essencialmente, sustentabilidade social”.

Produtos de valor económico e social

Maria do Céu Albuquerque afirmou também que “hoje, aqui, naquele que representa uma das maiores manchas de montado da Península Ibérica, afirmamos e constatamos que o montado contribui para a existência de uma importante economia de produtos associados. A diversidade de recursos que possui reflecte-se na oferta de um grande número de produtos e serviços de valor económico e social, tais como a criação de gado, a fauna bravia, o porco preto e a cabra serpentina, o mel, o azeite, a madeira, a cortiça, a lenha, os frutos e plantas silvestres, o artesanato e o turismo”.

Cortiça

Os números associados à cortiça mereceram também o destaque da ministra da Agricultura: “quero lembrar que Portugal é líder mundial na cortiça. As exportações representam aproximadamente 0,5% do PIB e 1,8% do valor das exportações totais portuguesas”.

A finalizar a sua intervenção, a ministra da Agricultura referiu que neste momento “estamos a definir o Plano Estratégico para a Política Agrícola Comum, tendo por base aquilo que são as directrizes da União Europeia para garantir a alimentação em quantidade, mas essencialmente em qualidade a todas e a todos e, sobretudo, para garantirmos o equilíbrio entre ambiente, entre economia e entre a qualidade de vida das pessoas. É preciso um esforço colectivo para podermos desenvolver o nosso país e criar as melhores oportunidades para todas e todos”.

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