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Javalis fazem prejuízo de 985 mil euros nas searas de milho. Produtores pedem esforço de caça

O aumento descontrolado da população de javalis que se tem verificado nos últimos anos em Portugal, está a causar avultados e crescentes prejuízos no sector agrícola nacional.

De acordo com um levantamento promovido pela Anpromis – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo , os prejuízos provocados pelos javalis nas searas de milho dos seus associados, representaram em 2018, “um valor extremamente elevado, a rondar os 985 mil euros”.

Produtores querem medidas “no mais curto espaço de tempo”

Ciente da dimensão desta problemática, a Anpromis, a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais, a AOP – Associação de Orizicultores de Portugal e a ANPC — Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade manifestaram junto da CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal a sua “preocupação com este tema e a necessidade de se tomarem medidas no mais curto espaço de tempo”.

Desta forma, teve lugar no passado dia 27 de Fevereiro uma reunião com o ICNF — Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, promovida pela CAP, em que participaram a Anpromis e a ANPC.

Batidas, montarias e esperas ao javali

Segundo fonte institucional da Anpromis, algumas das principais medidas debatidas passaram pela urgência em “aumentar o esforço de caça e autorizar acções de controlo de densidades para mitigar os avultados prejuízos causados em determinadas culturas agrícolas mais intensivas, entre as quais o milho, mediante a realização de batidas, montarias e esperas”.

Acrescentam os produtores de milho que, em certas regiões mais críticas, “é inclusivamente necessário implementar Planos Globais de Gestão que permitam o controle das elevadas densidades das populações de javalis aí existentes”.

Apoios do PDR 2020

Paralelamente, “importa prever no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), um concurso específico que permita o financiamento da instalação de cercas, que possibilitem minimizar os prejuízos provocados pelos javalis”, salientam os produtores.

Por outro lado, diz ainda a Anpromis ser fundamental a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) estabelecerem, desde já, “medidas para prevenir o possível aparecimento da Peste Suína Africana em Portugal, nomeadamente através da diminuição das densidades excessivas de javalis”.

Uniformizar os critérios

Por último, “é imperioso uniformizar os critérios de apreciação de pedidos de controle de densidade ao nível das distintas Direcções Regionais Conservação Natureza e Florestas (DRCNF) não criando entraves na apreciação dos pedidos de correcção de densidades apresentados, como tem sido prática”,frisa ainda a Anpromis.

Perante isto, a Anpromis e a ANPC reiteram a necessidade das autoridades nacionais competentes, à semelhança do que está a ser efectuado em outros Estados-membros, “tomarem as medidas necessárias de uma forma firme, célere e concertada, revertendo a situação actual de descontrole que se vive em certas regiões do País, que penaliza muito seriamente os agricultores locais, constitui uma fonte crescente de risco sanitário para a suinicultura nacional e é a causa de um significativo aumento do número de acidentes rodoviários originados nas estradas portuguesas, não esquecendo também os enormes impactos que estes animais têm, quando em densidades excessivas, nos povoamentos florestais jovens e na vegetação em geral, incluindo flora protegida rara, como é o caso da serra da Arrábida”, acrescenta a Associação.

Agricultura e Mar Actual

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