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Helena Vieira, directora executiva da Bluebio Alliance: “Falta um banco azul”

Helena Vieira, directora executiva da Bluebio Alliance, plataforma nacional que reúne já 96 empresas da economia do mar, identifica vários dos entraves para a evolução do sector. fala de problemas com o licenciamento de espaços para aquacultura, a legislação para inovações (algas e microalgas), mas também do financiamento privado neste sector que é baixo, assim como da “aversão ao risco de muitas empresas do sector mais tradicional que ainda não inovam com as novas tecnologias”.

Quanto ao acesso ao financiamento, em entrevista à Agricultura e Mar Actual, aquela responsável diz que “não temos ainda um banco azul, como a agricultura tem já”.

Como surgiu a ideia de criar a rede Bluebio Alliance (BBA)?

A Bluebio Alliance (BBA), associação sem fins lucrativos, surgiu da vontade de organização colectiva dos principais actores deste sector (biorecursos marinhos e biotecnologia azul) no seguimento do BioMarine 2014 em Cascais. Aquando desta conferência (a maior conferência internacional de negócios deste sector), uma parte de nós (Tiago Pita e Cunha, Miguel Herédia, Câmara Municipal de Cascais, eu própria e mais alguns) não quiseram deixar passar em branco a oportunidade de dinamizar este sector tão relevante da economia azul nacional e aproveitámos esta ocasião para reunir cerca de 80 representantes das empresas e entidades nacionais do sector para perguntar-lhes o que faltava para o sector crescer mais e ter maior peso na economia azul nacional. A resposta foi unânime: escala e cooperação, financiamento e internacionalização. E foi por isso mesmo que decidimos criar em Abril 2015 a BBA, uma plataforma nacional que funciona em rede para dinamizar a cadeia de valor dos biorecursos marinhos.

A Câmara de Cascais continua a ter um papel activo na rede?

A Câmara de Cascais esteve na génese deste projecto, foi o seu principal apoiante (ideológico, logístico e financeiro) no primeiro ano de vida e continua ligada à rede como parceiro e como apoiante das nossas acções.

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Quantos associados tem já?
96.

Que trabalhos têm feito as associadas em conjunto?

Colaborações para desenvolvimento de novos produtos e/ou serviços, submissão de projectos a financiamento competitivo nacional e internacional em conjunto, e agora preparamo-nos para levar uma comitiva nacional com mais de 20 entidades ao BioMarine 2016, em Oslo na Noruega.

Que inovação saiu já da aliança?
A cooperação em rede, a capacidade de alavancar o financiamento aos seus associados e a voz única e uníssona como representante nos mercados internacionais.

Dia 2 de Junho a Bluebio Alliance teve a sua segunda conferência. Quais as principais ideias saídas dessa reunião?

Que há ainda muito para fazer, que os nossos associados, que vão crescendo têm muitas oportunidades para colaborar, mas também que é preciso uma clara aposta governamental neste sector, com políticas dirigidas e que promova e facilite os negócios e a inovação.

A economia azul teve no passado um papel pequeno no aproveitamento destes fundos, mas tal tem vindo a mudar.

Acha que os fundos comunitários têm estado a ser bem aproveitados na área da economia do mar? São poucos relativamente aos existentes para os outros sectores de actividade?

A economia azul teve no passado um papel pequeno no aproveitamento destes fundos, mas tal tem vindo a mudar. E por esse mesmo motivo a BBA centrou grande parte das suas acções este ano na criação de ferramentas para os associados poderem preparar-se melhor para essas Calls, fez workshops e reuniões de trabalho sobre o H2020 com vista à informação detalhada de quais as oportunidades existentes e como devem ser abordadas para uma proposta ganhadora, mas também para a criação de consórcios nacionais candidatos a oportunidades em concretas. Planeamos fazer o mesmo para o Portugal 2020.

Não temos é ainda um banco azul, como a agricultura tem já.

O acesso ao crédito bancário para esta área é mais difícil do que por exemplo na agricultura?

Não julgo ser nem mais fácil nem mais difícil. Não temos é ainda um banco azul, como a agricultura tem já.

Quais os principais entraves ao desenvolvimento da economia do mar?

Os principais entraves não são apenas um e isolados. Temos o licenciamento de espaços para aquacultura, a legislação para inovações (algas e microalgas), mas também o financiamneto privado neste sector é baixo, a aversão ao risco de muitas empresas do sector mais tradicional que ainda não inovam com as novas tecnologias e que se podiam diferenciar, a colaboração entre empresas ainda é baixa, muitos investigadores que não transferem as suas inovações para o mercado, o pequeno número de startups do sector, e a própria abertura do sector ao cruzamento com outras áreas como as TIC, agricultura, turismo, etc., onde há ainda muito para explorar. Mas acima de tudo o que falta mudar é mesmo as mentalidades de quem tem o conhecimento nesta área e de os tornar mais empreendedores. Para termos um sector vibrante temos que ter muitas empresas novas a nascer e outras a morrer. É dessas dinâmicas que crescem as ideias que vingam.

O que se pode fazer para ultrapassar esses entraves?

Formar, informar e dinamizar. Criar condições para maior colaboração, ter uma marca e voz uniforme e única que represente o sector internacionalmente e que atraia investimento e projectos e fomentar a maior transferência de conhecimento científico para o mercado, dinamizando o empreendedorismo e a formação no sector. Trabalhando em parceria directa com as universidades e centros de I&D e com as empresas e indústrias do sector.

Agricultura e Mar Actual

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