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Estagnação da produção solar e aumento do consumo de electricidade sem eficiência energética preocupa APREN

As energias renováveis reduzem emissões de 6 milhões de toneladas de CO2 e poupam 1,3 mil milhões de euros de importações de combustíveis fósseis. Mas a estagnação da produção solar e aumento do consumo de electricidade sem eficiência energética preocupam a APREN — Associação Portuguesa de Energias Renováveis e a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Dizem os responsáveis por aquelas organizações que a auto-produção “não tem sido devidamente fomentada” e que há “falta de medidas de eficiência energética”. Isto apesar de 2018 ter sido o ano em que se “bateram” recordes.

Em marco de 2018 a produção renovável foi suficiente para satisfazer o consumo total de electricidade em Portugal Continental, com especial contribuição das tecnologias eólica e hídrica.

Produção fotovoltaica cai entre 2017 e 2018

Em comunicado, as duas associações salientam o decréscimo em 3,8% da produção fotovoltaica entre 2017 e 2018, o que representou apenas 1,6% do total da electricidade consumida, quando “deveria ser uma das vertentes mais importantes de crescimento da produção de electricidade através de fontes renováveis, nomeadamente através da auto-produção que não tem sido devidamente fomentada”.

Também o aumento do consumo de electricidade em 2,5%, que “será desejável ao longo das próximas décadas com a electrificação dos usos de energia, actualmente é um reflexo de falta de medidas de eficiência energética”, acrescenta o comunicado.

No entanto, aquelas associações salientam a apresentação, a 4 de Dezembro passado, pelo Governo do RNC 2050 (Roteiro para a Neutralidade de Carbono) em que se prevê que em 2050 Portugal seja neutro em carbono e com a electricidade 100% renovável.

Estarmos num bom caminho, mas…

António Sá da Costa, presidente da APREN, afirma que “apesar de estarmos num bom caminho, o ano de 2018 veio reforçar a ideia de que há ainda muito ainda por fazer no sector da electricidade renovável por forma a cumprir os objectivos definidos pelo Governo para atingir 80% de electricidade renovável em 2030 (PNEC 2030) e ser neutro em carbono com 100% de electricidade renovável em 2050 (RNC 2050)”.

 

Acrescenta António Sá da Costa que “as recentes orientações definidas pelo nosso Governo vão no sentido de fomentar a reactivação do sector que atravessou nos últimos anos um forte abrandamento. Espero, que os resultados se venham a sentir já em 2019”.

Perspectivas para 2019

A APREN e a ZERO consideram crucial a implementação de um quadro regulamentar sólido que permita definir um plano estratégico para as políticas de energia e clima.

Estas políticas devem ser apoiadas por regras e medidas que proporcionem uma previsibilidade das necessidades de investimento e desenvolvimento de actividades de baixo teor em carbono, assentes na substituição de soluções energeticamente ineficientes e com impactes negativos no meio ambiente, por outras mais eficazes e economicamente sustentáveis numa perspectiva de médio e longo prazo.

Plano Nacional de Energia e Clima para 2030

A apresentação no final de 2018 em Bruxelas do PNEC 2030 (Plano Nacional de Energia e Clima para 2030) veio definir os objectivos de energias renováveis para 2030, que são um compromisso inequívoco que Portugal assume perante a UE e que vão em linha com o que a APREN e a ZERO defendem para o País.

Por sua vez, Francisco Ferreira, presidente da ZERO, considera que “Portugal tem de investir muito mais na eficiência energética e nas energias renováveis para ser neutro em carbono em 2050 e esse investimento tem de ser fortemente acelerado. O aproveitamento da energia solar é crucial e é preciso informar, simplificar e ultrapassar os obstáculos que impedem termos muito mais edifícios com telhados preenchidos com painéis fotovoltaicos ou no caso de grandes centrais solares dando preferência a áreas sem outra utilização significativa”.

2018, o ano em que se “bateram” recordes

Em termos médios, 2018 foi marcado por uma incorporação renovável no consumo eléctrico de 55,1%, o que corresponde a um aumento de 28% face a 2017.

Este facto advém duma maior produtividade das grandes hídricas que foi mais do dobro que em 2017, representando 24,1% do consumo. A tecnologia eólica representou uma produção de 12,3TWh, correspondentes a 24,3% do consumo, o que a tornou, pela primeira vez, a maior fonte de electricidade em Portugal continental.

Estes níveis de incorporação renovável proporcionam grandes benefícios económicos e ambientais para o País, de que se destacam:

  • Foi alcançada uma poupança em importações de combustíveis fósseis de 1268 M€;
  • Houve uma redução entre 2017 e 2018 de cerca de 6 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono associadas à produção de electricidade, passando-se de 19,4 milhões de toneladas em 2017 para 13,5 milhões de toneladas em 2018. Esta redução representa cerca de 10% das emissões nacionais;
  • Foi possível evitar a aquisição de licenças de emissão de CO2 no valor de 191 M€, correspondente a um total de 12 milhões de toneladas de emissões equivalentes de CO2.

2018 foi marcado por:

O ano passado foi marcado por uma acentuada subida dos preços da electricidade no mercado spot de electricidade, tendo-se registado um valor médio anual de 57,4€/MWh que é superior em cerca de 18% ao valor médio de 2017.

Este aumento deveu-se fundamentalmente ao:

  • Aumento do consumo de electricidade (2,5% acima de 2017) em Portugal continental;
  • Aumento do preço do mercado europeu de licenças de emissão de CO2 em 2,7 vezes face a 2017, com o valor médio anual de 15,9€/tCO2 em 2018;
  • Indisponibilidade de alguns reactores nucleares em Espanha e noutros mercados europeus, que originou um aumento do preço da electricidade por toda a Europa;
  • Aumento do preço dos combustíveis em relação ao ano passado, em cerca de 34% no gás natural e 15% no carvão.

“De destacar que com mais electricidade renovável, o preço será mais previsível e menor e menos vulnerável estará a economia portuguesa à volatilidade do preço dos combustíveis e do CO2, assim como às incertezas na disponibilidade das centrais nucleares da Europa Ocidental”, realça o comunicado.

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