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Eleições Madeira: Candidata do PTP quer “regionalização dos Portos da Madeira”

A cabeça de lista do Partido Trabalhista Português (PTP), Raquel Coelho, às eleições regionais da Madeira, de 22 de Setembro, defende “regionalização dos Portos da Madeira”. Isto porque “se fosse a Região a fazer a exploração dos Portos da Madeira sem recorrer a empresas privadas isso ia diminuir os custos dos nossos portos, que estão a cobrar preços bem mais superiores que no continente e Açores, o que nos faz perder competitividade, sobretudo ao nível das empresas”.

Em declarações ao agriculturaemar.com, Raquel Coelho diz que “os Portos da Madeira, porque os portos estão a ser explorados por uma empresa privada, do Grupo Sousa, há mais de 20 anos, e que explora sem pagar absolutamente nada”.

Para a líder do PTP, “achamos essencial que a Região tenha um ferry de transporte de mercadorias, de passageiros e de veículos que nos ligue ao continente. Tivemos o Navio Armas que fazia este trajecto quase gratuito. Mas, agora as empresas privadas cobram o couro e o cabelo”.

Preços de transporte inflacionados

E garante: “é mais caro levar mercadorias, um contentor de Lisboa para a Madeira, do que de Lisboa para a China”.

Explica Raquel Coelho que “não se trata apenas de uma questão de escala mas porque os preços praticados pelo frete marítimo na Madeira são excessivos. Praticamente não existe competitividade no sector”.

Três perguntas a Raquel Coelho

O que defende o PTP em termos de impostos?

Bem, reduzir impostos significa sempre menos investimento público, mas achamos que é preciso tirar a sobrecarga que os madeirenses têm em determinados bens que são essenciais e contribuem para o aumento do custo de vida dos cidadãos. Temos o custo de vida mais caro do País.

E na agricultura?

A agricultura tem de ser uma aposta da Madeira. É fundamental para a Região Autónoma da Madeira porque também a nossa paisagem agrícola é um grande cartão de visita para o turismo, por exemplo através dos famosos socalcos. Por outro lado, temos de proteger o nosso território dos famigerados incêndios.

Mas há apoios comunitários para ajudar os agricultores.

Pois, mas esses apoios devem ser distribuídos de uma forma completamente diferente e não como fazem, para comprar os votos dos agricultores em tempo de eleições. A agricultura é mais do que isso. Veja, os agricultores da Caldeira, na Câmara de Lobos, já são obrigados a comprar água a empresas privadas porque não há água nas canalizações. Pouco sobra para água de rega.

Nunca se investiu na agricultura. O objectivo era fazer da Madeira uma grande praça financeira e esqueceram a agricultura. Não há apoios e a água de rega não chega.

A Madeira continua a ter uma agricultura rudimentar precisamente porque nunca houve um investimento a sério. Até lhe relembro as declarações de Jaime Ramos, do PSD, na Assembleia Legislativa, que gostava de se gabar que a agricultura e a pecuária eram para regiões atrasadas como os Açores e não para a Madeira que é uma Região desenvolvida. Aqui, o agricultor é visto como um desgraçado.

Nota: O autor deste artigo entrevistou também a líder do PTP Madeira para o Insular de Notícias, a qual pode ler aqui.

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