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DGAV alerta para vírus do fruto rugoso castanho do tomateiro e pimenteiro

A União Europeia estabeleceu medidas de emergência para o Tomato Brown Rugose Fruit Virus (ToBRFV), vírus do fruto rugoso castanho do tomateiro. A Decisão de Execução (UE) 2019/1615 entrou em aplicação no passado dia 1 de Novembro.

Assim, a DGAV – Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária disponibilizou informação de divulgação sobre o referido vírus.

Explica aquela Direcção que este é um”novo risco”. Um tobamovírus apresenta como principais hospedeiros os vegetais de Solanum lycopersicon (tomateiro) e Capsicum annuum (pimenteiro).

Infestantes como o Chenopodiastrum murale e Solanum nigrum podem actuar como reservatório do vírus.

Sintomatologia

Em tomateiro variam em função da variedade. Cultivares com o gene resistente Tm-22 (usado contra outras tobamoviroses) são susceptíveis ao ToBRFV. Os sintomas foliares incluem clorose, mosaico e marmoreado com afilamento ocasional das folhas. Pontos necróticos podem aparecer nos pedúnculos, cálices e pecíolos.

Os frutos apresentam manchas amarelas ou acastanhadas, com os sintomas rugosos que os tornam não comercializáveis. Podem apresentar deformações, listras e maturação irregular.

Em pimenteiro, os sintomas foliares incluem deformação, amarelecimento e mosaico. Os frutos são deformados, com áreas amarelas ou acastanhadas ou riscas esverdeadas.

Transmissão

O ToBRFV é transmitido por semente, contacto (ferramentas contaminadas, mãos, roupas, contacto directo planta a planta, insectos polinizadores) e material de propagação (enxertos, estacas).

Os Tobamovírus, explica a DGAV, podem permanecer infecciosos em sementes, restos de plantas e solo contaminado durante meses. Encontram-se no revestimento das sementes e no endosperma, o que pode explicar por que é que os tratamentos convencionais de desinfecção de semente não são totalmente eficazes.

Mesmo que a transmissão da semente para a planta seja baixa, a transmissão por contacto permite uma rápida disseminação dentro de uma estufa.

As vias de disseminação podem ocorrer através da semente, vegetais destinados a plantação com origem em países onde o ToBRFV ocorre. O vírus também é transmitido localmente por contacto.

Um pouco de História

Israel, Outono de 2014 – Os sintomas da doença foram observados pela primeira vez. No espaço de um ano disseminou-se por todo o país em virtude da acção humana e do comércio de sementes e estacas infectadas.

Jordânia (2015, Abril) – Primeira identificação como ToBRFV após detecção de sintomatologia estranha numa cultura de tomate de estufa que afectou severamente o valor dos frutos. Incidência em quase 100% da produção.

México (2018, Setembro e Outubro ) – Detecção em dois estados, em tomateiro e pimenteiro, Desde então, mais de 100 focos detectados em 20 estados, incluindo uma detecção em beringela.

EUA (2018, Setembro) – Detecção numa estufa com plantas de tomateiro na Califórnia.

Alemanha (2018, Novembro) – Detectados focos inicialmente em 7 estufas produtoras de tomate numa extensão de 25ha com cerca de 10% dos frutos a apresentar sintomas. Foram as primeiras detecções na Europa. Concluiu-se que as plantas eram originárias de outro país. Uma rápida análise de risco concluiu que o vírus representa um risco elevado para a Alemanha e outros Estados-membros da UE.

Itália (2018, Dezembro) – Primeira detecção, na Sicília, em produção de tomate. 10% a 15% das culturas afectadas embora com sintomas não severos nos frutos. Detecções posteriores em materiais de viveiro e em lotes de semente não italiana.

OEPP – Lista de Alerta (2019, Janeiro) – após as detecções numa série de países, em particular a Alemanha e a Itália, e considerando a importância da cultura do tomate, e também do pimento, na região europeia e mediterrânica, a OEPP coloca este vírus na sua Lista de Alerta. Os sintomas da doença tornam os frutos não comercializáveis e uma vez o vírus introduzido numa área as medidas de controlo são muito limitadas e assentam essencialmente na eliminação das plantas infectadas e em rigorosas medidas de higiene.

Turquia (início de 2019), detecção em estufa de tomate com cerca de 20% das plantas doentes.

China (2019, Abril) – Detecção em três estufas de tomate (4000m2) na província oriental de Shandong com uma incidência estimada de 50%.

Itália (2019, Maio) – Nova detecção, desta vez no Norte do país, Piemonte, com cerca de 15% das plantas de uma cultura hidropónica de 30000m2 de tomate a apresentarem sintomas da doença. Sintomas menos severos nos frutos.

Publicação pela Itália de uma análise de risco de pragas (PRA) considerando como área de risco todas as áreas de produção de tomate e pimento, sob coberto (a transmissão por semente e contacto potenciam a rápida disseminação da doença com impacto elevado sobre a produção e alto risco de instalação e difusão na área em estudo) e apontando para a necessidade de medidas fitossanitárias com vista a evitar novas introduções e controlar a dispersão em áreas já atingidas.

Alemanha (2019, Julho) – considera, após amostragem intensiva das plantas presentes nas estufas onde fora detectada a infecção, os seus focos erradicados na sequência dos resultados negativos em todas as amostras colhidas.

Reino Unido (2019, Julho) – primeira detecção num local de produção de tomate.

UE (2019, Junho a Setembro) – proposta, discussão, aprovação e publicação de medidas de emergência, Decisão de Execução (UE) 2019/1615 da Comissão de 26 de Setembro de 2019, que estabelece medidas de emergência para evitar a introdução e a propagação na União do organismo prejudicial «vírus do fruto rugoso castanho do tomateiro (ToBRFV).

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