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Conheça quais são as 5 principais pragas na cultura do milho

Artigo de opinião de Rosa Moreira, Eng.ª Agrónoma, promotora do site A Cientista Agrícola

Pragas no milho: um problema que afecta a produtividade?

A cultura do milho representa, nos tempos actuais, uma das mais importantes culturas arvenses em Portugal e no mundo. Esta cultura pode ser associada à produção de silagem mas também  à produção de grão que tem ganho nos últimos tempos uma expressão considerável.  Por essa razão,a cultura do milho afirma-se actualmente como um dos casos mais evidentes do potencial produtivo da agricultura de regadio, contribuindo dessa maneira para a vitalidade da economia nacional e mundial. Por todos os factores anteriormente enunciados, e importante conhecer as principais pragas no milho e os seus danos para dessa forma minimizar as consequentes quebras de produtividade e rendimento.

A ensilagem define-se por um método de produção da silagem que está assente na conservação da forragem para alimentação animal. Este processo de produção de silagem consiste  na fermentação láctica da matéria vegetal da cultura do milho durante a qual são produzidos ácido láctico e outros ácidos orgânicos. Estes, causam a diminuição do pH até valores inferiores a 5 e a criação de anaerobiose(ausência de oxigénio). O  material resultante deste processo anteriormente referido (silagem de milho)  é utilizado como fonte de alimentação animal, principalmente  ruminantes e pode ser conservado durante longos períodos — (Fonte da imagem:Revista Globo Rural).

A produção de milho- grão tem ganho cada vez mais expressão.

Com o principal objectivo de tornar os nosso leitores mais informados acerca deste tema, apresentamos neste artigo algumas das principais pragas que podem afectar a o milho bem como as suas principais características morfológicas e produtivas.

1-Um das principais pragas no milho: Broca do milho, Sesamia nonagrioides

broca do milho é uma das pragas no milho mais importantes, afectando em Portugal cerca de 50% da área de produção (Fonte: Milkpoint).

Os principais danos desta praga são em folhas, caules e na espiga, o que acabe por afectar significativamente a sua capacidade produtiva bem como diminuir a sua resistência à acama, sendo por isso as plantas de milho mais susceptíveis a “tombar”. Associado a esta praga está também a presença de micotoxinas nas espigas do milho, o que se pode revelar extremamente prejudicial e causador do decréscimo de qualidade nutricional na alimentação humana e principalmente na animal.

Este praga, tal como a maioria das pragas, pertence à classe dos insectos, ordem dos lepidópteros e família Noctuidae.

Quando os ataques desta praga se dão em plantas ainda num estádio de desenvolvimento precoce, geralmente provocam a morte folhas centrais da planta, sendo possível ver os seus danos concentrados em “manchas” nos campos com esta cultura.

Danos provocados na espiga pela broca do milho. Verifica-se que nas plantas atacadas por este insecto, as folhas acabam por “murchar”, as plantas quebram, e as larvas “escavam” galerias no interior da espiga. Por essa razão, quando isto acontece, observa-se uma quebra significativa do rendimento e qualidade na colheita desta cultura. A broca do milho é por isso, uma das pragas no milho mais significativas e que deve levar a uma maior preocupação por parte do agricultor e/ou técnico agrícola. Os métodos de protecção existentes muitas vezes são pouco eficazes uma vez que esta praga desenvolve-se dentro do caule da planta (Fonte da imagem: Agrofile).

2- Roscas ou Nóctuas

No que diz respeito às nóctuas ou roscas, pragas no milho que causam estragos consideráveis salienta-se as espécies  Agrotis ipsilon e Agrotis segetum, pertencentes à ordem dos lepidópteros e família Noctuidae.

Agrotis ipsilon: estado larvar (Fonte da imagem: BugGuide.Net)

A espécie Agrotis ipsilon  quando se encontra no estado larvar como é possível ver na figura acima,  alimenta-se principalmente das folhas do milho.

No entanto, é também muito frequente os estragos causados por esta espécie se alargarem ao nível do solo (raiz/pé da planta). Tal ataque deste tipo de pragas no milho, leva posteriormente  a que as plantas acabem por murchar e  sua posterior morte.

No estado larvar, esta espécie pode destruir várias plantas mesmo que em pequeno número. Os seus ataques são muito perigosos e devem ser alvo de grande preocupação por parte do agricultor uma vez que quando aparecem, na maior parte dos casos, de forma massiva, destroem grande parte da cultura.

Os seus ataques às plantas de milho são maioritariamente feitos de noite, optando os seus indivíduos  por se esconderem de dia, junto ao pé da planta.

Contrariamente aos ataques da espécie Agrotis ipsilon,  os ataques de Agrotis segetum apresentam-se em campo de forma mais dispersa, apesar de causarem também muitos estragos.

Agrotis segetum: estado larvar (Fonte da imagem: Pyrgus.de)

3-Afídios

Conhecidos de forma mais geral como piolhos ou pulgões, pertencem à família  Aphidoidea. Os afídios são uma das pragas no milho  caracterizadas pela  produção de  melada, que posteriormente origina o aparecimento da fumagina. Estes insectos são responsáveis pela deformação e enrolamento das folhas das plantas de milho, podendo as espigas também serem atacadas. Caso a população desta praga seja elevada, pode originar perdas consideráveis do rendimento final.

Os pulgões alimentam-se da seiva do milho e as formigas alimentam-se da melada produzida (Fonte da imagem: Depositphotos)

4-Pirale do milho

A pirale do milho, cientificamente conhecida por Ostrinia nubilalis, pertence à semelhança das pragas anteriormente referidas à classe dos insectos, ordem dos lepidópteros e família Pyralidae.

O ataque da larva da pirale nas espigas no milho leva ao seu apodrecimento posterior (Fonte da imagem: cibpt.org).

Quando se encontra nos últimos instares do seu ciclo de vida, a pirale fica alojada no caule da planta ou na espiga de milho e provoca estragos muito preocupantes para o agricultor.

Esta espécie no seu estado larvar “escava” túneis que causam o rompimento (quebra) dos caules e das flores masculinas das plantas de milho.
Os locais por onde estas lagartas entram é um vector de desenvolvimento de agentes patogénicos que posteriormente causam o apodrecimento das espiga.

5- Alfinete: uma das pragas no milho com maior expressão

Alfinete (espécie predominante Agriotes spp) é uma das pragas no milho que causa mais estragos, uma vez que os seus ataques são maioritariamente ao nível do solo e por isso atacando as partes das plantas nessa parte. Nas plantas de milho mais jovens, os ataques acontecem maioritariamente através da germinação, que pode estender-se por um longo período. O modo de actuação destas larvas é o seguinte: “agarram-se” ao colo da planta de milho, perfurando-a e alimentando-se dela.

 

Raízes das plantas de milho atacadas pela larva-alfinete.Os seus ataques podem destruir grande parte da cultura do milho, sendo por isso esta praga alvo de grande preocupação. Normalmente, existem duas épocas do ano em que as larvas sobem para as camadas superiores do solo e planta (início da Primavera e Outono). Nos solos mais secos, os prejuízos com esta praga costumas ser muito superiores, sendo os solos mais húmidos óptimos para imobilizar a praga.

A Cientista Agrícola

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