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Como tratar a lepra do pessegueiro: conselhos úteis e eficazes!

Artigo de opinião de Rosa Moreira, Eng.ª Agrónoma, promotora do site A Cientista Agrícola

A lepra do pessegueiro
(Taphrina deformans (Berk.) Tul.)

A lepra do pessegueiro é uma doença que pode causar graves prejuízos aos pessegueiros, quer sejam pubescentes ou glabros (nectarinas). É a doença causada por um fungo mais comum nos pessegueiros, sobretudo na região de Entre Douro e Minho, devido às condições de humidade óptimas ao seu desenvolvimento desde a rebentação. A lepra do pessegueiro deve o seu nome aos empolamentos característicos das folhas atingidas.

sintomas gerais lepra do pessegueiro
Aspecto geral de um pomar de pessegueiros afectado pela lepra (folhas deformadas e queda acentuada de folhas).
ramos de pessegueiro com lepra
Ramo de pessegueiro com folhas deformadas por ataque de lepra.
lepra do pessegueiro folhas
Raminho novo com as folhas ligeiramente deformadas no início da infecção pelo fungo causador da lepra.
lepra do pessegueiro frutos
Jovem fruto deformado por ataque de lepra. O desenvolvimento deste fruto está já comprometido.

Efeitos da doença na cultura

A lepra do pessegueiro ataca as folhas, os rebentos e mais raramente a flores e os frutos. A doença pode afectar apenas algumas folhas ou atingir quase totalmente a folhagem.

As folhas infectadas distinguem-se pela cor acentuadamente mais avermelhada ou mais pálida que o normal e tomam um aspecto, empolado, torcido e enrolado, além de ficarem mais espessas e quebradiças.
As folhas que não caírem logo no início da Primavera vão ficando acastanhadas, enrolam em espiral e caem no início do Verão.

Após esta queda prematura das folhas, os gomos darão origem a novas folhas, o que contribui para enfraquecer a árvore. Por vezes os gomos terminais são também atingidos, ficando mais curtos e enrolados.
Tomam uma cor verde pálido ou amarela, dão apenas folhas encarquilhadas e acabam por secar.

As flores afectadas geralmente abortam e não chegam a dar frutos ou se os dão, estes apresentam aspecto verrugoso e descolorido e caem prematuramente.

Duma forma geral, as árvores enfraquecem e ficam mais vulneráveis aos frios do Inverno. No ano seguinte, a frutificação pode ser seriamente comprometida.

Biologia do fungo

O fungo passa o Inverno na forma de ascósporos nas anfractuosidades dos ramos ou nas escamas dos gomos.
Na Primavera, ao abrolhamento, a chuva e o vento transportam os esporos para os gomos foliares, onde se desenvolvem, causando os estragos já referidos.

Factores que favorecem a doença

Os Invernos amenos e húmidos favorecem a conservação dos esporos e uma Primavera húmida e fria prolonga a receptividade da árvore à doença. Esta causará maiores estragos com tempo frio e húmido na altura em que os gomos foliares saem do repouso invernal e começam a inchar. Os calores precoces da Primavera são
desfavoráveis à progressão da doença. No início do Verão, a subida das temperaturas e o tempo seco interrompem o seu desenvolvimento.

Tratamentos da Lepra do Pessegueiro

Tratamentos preventivos eficazes podem ser feitos no início do inchamento dos gomos foleares, de acordo com a orientação do quadro seguinte:

quando tratar a lepra do pessegueiro

Os primeiros tratamentos do ano podem ser feitos com caldas à base de cobre. No Entre Douro e Minho, região com primaveras frequentemente frias e chuvosas, os tratamentos com caldas à base de cobre muito cedo, ao início do inchamento dos gomos foleares, dão resultados bastante bons, obtendo-se uma protecção eficaz dos pessegueiros contra a lepra.

Após a instalação da doença, a eficácia dos tratamentos será mais incerta. No decorrer da vegetação e no caso de ocorrerem períodos de chuva mais ou menos persistente, devem ser aplicadas apenas caldas à base de zirame, tirame, dodina ou enxofre, pois o cobre é fitotóxico para a vegetação dos pessegueiros.

Como tratar?- outras opções de tratamento

Prevendo-se períodos de chuva, deve aplicar um fungicida para prevenir ataques desta grave doença do pessegueiro.
Nesta fase, podem utilizar-se fungicidas à base de enxofre, captana (MALVIN 80 WG, MERPAN 80 WG), difenoconazol (MAVITA 250 EC, SCORE 250 EC, ZANOL), dodina (SYLLIT 544 SC), tirame (FERNIDE WG, POMARSOL ULTRA D, THIANOSAN, TIDORA G, TM-80,), zirame (THIONIC WG, ZICO, ZIDORA AG).

Os fungicidas à base de tirame já foram retirados do mercado (30.01.2019) e a proibição da sua utilização entra em vigor no dia 30.04.2019.

Agricultura Biológica: como tratar?

No Modo de Produção Biológico são autorizados fungicidas à base de enxofre, a partir da rebentação e durante o período vegetativo.

Pode também gostar de ler este artigo:

Biobliografia
Artigo adaptado de  Textos de divulgação técnica da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho nº 3/ 2012 (II Série) Março
(ver aqui: http://geo.drapn.min-agricultura.pt/agri/archivos/folletos/1358333255_DIVULGA%C3%87%C3%83O_3_2012_LEPRA_DO_PESSEGUEIRO.pdf)
Este artigo foi  também adaptado da  Circular nº 03 d2019, da Estação de Avisos de EntrDouro e Minho e diz respeito aos cuidados que deve ter com a manutenção e melhoramento do solo. Esta circular, bem como edições anteriores, pode também ser consultada descarregada em: 
1 – www.drapn.pt
Fitossanidade > Avisos Agrícolas > EntrDouro e Minho
2 – http://snaa.dgav.pt/
estaçõede avisos > Estação de Avisos de Entre Douro e Minho.

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