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Big Data na agricultura: quem beneficia?

Artigo de opinião de Sara Sousa, marketeer na Agroop

Um novo estudo realizado por investigadores da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), uma organização australiana, descobriu quais são as percepções, entre membros do sector agrícola, relativamente ao uso da Big Data.

Para o estudo, designado “Is big data for big farming or for everyone? Perceptions in the Australian grains industry”, foram entrevistados 26 membros da indústria dos cereais.

O que é Big Data?

O termo “big data” refere-se a conjuntos de informação tão grandes e complexos que não podem ser analisados por aplicações tradicionais de processamento de informação. Alguns exemplos de informações que já são analisadas em plataformas de Big Data são modelos de produção de culturas, informação recolhida por sensores ou por estações meteorológicas, etc.

A Big Data pode ser utilizada para aumentar a produtividade nas explorações agrícolas (benefícios para o produtor) ou para melhorar logística e análise de mercado (benefícios para a indústria).

“É possível assumir que as aplicações da Big Data estão mais facilmente adaptadas a explorações grandes e indústrias que já usam dados analíticos nos seus processos de decisão e têm acesso a capital e recursos,” ainda que hajam poucas provas destes factos, dizem os autores.

No entanto, a conclusão é clara: no que toca a quem beneficiará mais da Big Data, as opiniões dividem-se.

A Big Data é para os grandes

Há um segmento acredita que a Big Data vai beneficiar sobretudo as grandes explorações agrícolas e negócios. As explorações e os negócios de grande dimensão são vistos como tendo mais capacidade de “cobrir os custos associados à implementação de sistemas de Big Data,” acesso a bases de dados maiores e maior capacidade para angariar competências e conhecimento relativos à interpretação e aplicação de Big Data.

Os entrevistados que defenderam este ponto de vista tinham tendência para valorizar mais a maximização de lucros e acreditar que “maior é melhor” e na “sobrevivência do mais forte”.

A Big Data é para todos

A outra corrente de opinião identificada pelos autores do estudo defende que a Big Data vai ser benéfica para todos. “Ao melhorar as coisas no geral, toda a gente vai ficar melhor.” No entanto, os entrevistados reconheceram que os benefícios para o agricultor podem demorar algum tempo a surgir, até que haja informação captada suficiente, assim como métodos de análise estabelecidos.

Os respondentes que traduziram esta visão tinham tendência a acreditar em valores como cooperação, partilha e o colectivo acima do indivíduo.

A confiança no que toca à Big Data é diferente para grandes negócios e para produtores.

Desafios na aplicação de Big Data na agricultura

Confiança, infra-estrutura e competição global. Estes são os três principais riscos da aplicação da Big Data identificados pelos players do sector agrícola, de acordo com o estudo.

A confiança no que toca à Big Data é diferente para grandes negócios e para produtores. Para os primeiros, importa mais a confiança nos processos de armazenamento de dados e restrições e regras governamentais; para os segundos, é mais relevante a confiança na óptica de garantia de direitos e retorno para os produtores individuais.

A nível de infra-estrutura, a preocupação é a falta de acesso à Internet em zonas rurais, assim como a falta de competências para analisar os dados recolhidos com plataformas de Big Data. “Sem estas bases, a implementação de sistemas de Big Data é impossível.”

Como resolver estas questões e garantir que a Big Data beneficia tanto os grandes negócios como os produtores de menor dimensão? Para os investigadores, a solução passa pelo envolvimento de grupos de agricultores, redes de consultoria e associações do sector e partilha de conhecimento entre os vários agentes – tanto a nível local como global.

Agricultura e Mar Actual

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