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Agricultura biológica cresce cada vez mais em Portugal

Ao andar pelas ruas de Lisboa ou do Porto, chama a atenção a quantidade de supermercados exclusivamente biológicos — ou orgânicos, como são chamados em outros países. As grandes redes também dispõem de sectores específicos para esse tipo de produto. De facto, a agricultura biológica em Portugal cresceu 22% entre 2012 e 2016, de acordo com os dados do Escritório Europeu de Estatística — Eurostat. São mais de 245 mil hectares, ou 6,75% da área agrícola do País.

Como cada vez mais pessoas aderem à alimentação saudável, os biológicos deixaram de ser um nicho de mercado para se tornarem parte da mesa de todos aqueles que querem cuidar melhor da saúde. Um inquérito realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Católica-Lisbon, School of Business & Economics, em parceria com a Associação Nacional para a Indústria da Protecção das Plantas (ANIPLA) detectou que 65% dos 961 portugueses que responderam às questões preferem comer apenas alimentos biológicos. Para 66%, consumir produtos biológicos regularmente reduz o risco de cancro.

Mas será que isso é verdade? Você sabe a diferença entre os alimentos produzidos de acordo com a agricultura convencional e a biológica? Quais as vantagens e desvantagens de cada método de cultivo?

Alimentos biológicos vs. tradicionais

Cada país tem sua própria regulamentação para certificar uma produção como biológica mas, em comum, é proibido o uso de fertilizantes sintéticos, pesticidas, herbicidas, hormonas e qualquer tipo de engenharia genética, ou seja, produtos transgénicos ou geneticamente modificados.

Esse é o principal motivo pelo qual os produtos biológicos crescem cada vez mais em popularidade. Afinal, já existem diversos estudos comprovaram que o uso de herbicidas pode causar cancro, hidrocefalia, atrofia muscular e muitas outras doenças. A EPA (agência norte-americana para protecção do meio ambiente), por exemplo, considera mais da metade de todos os herbicidas e fungicidas como potencialmente causadores de cancro.

Além do controlo rigoroso das substâncias utilizadas na produção dos alimentos, a agricultura orgânica caracteriza-se também por proteger os recursos naturais e preservar a biodiversidade.

Assim, por exemplo, enquanto a produção agrícola convencional pulveriza fertilizantes químicos sintéticos para incentivar o crescimento das plantas, os produtores biológicos aplicam fertilizantes naturais, como esterco ou compostos orgânicos. Em vez de insecticidas para controle de pragas, o agricultor orgânico usa insetos, aves ou armadilhas benéficas. E em vez dos herbicidas para controlar as ervas daninhas, na agricultura biológica faz-se a rotação de culturas.

Fonte: Pxhere

Mas também há desvantagens. Em geral, os alimentos obtidos por meio de cultivo biológico têm menor durabilidade do que os convencionais. Isso é ainda mais visível em produtos como carne, peixe, leite, iogurtes, manteiga e natas. Na aparência, os biológicos também perdem para os convencionais: apesar de manterem o valor nutritivo, são geralmente de tamanho menor com menos brilho.

Outra desvantagem é o preço: como no caso da agricultura biológica o processo de produção é mais lento e necessita de mais mão de obra, invariavelmente os alimentos são mais caros.

Apesar das diferenças, é importante salientar que praticar a agricultura biológica não é voltar no tempo. Várias práticas modernas podem — e devem — ser utilizadas pelos produtores biológicos, como métodos de irrigação, testes de solo, tecnologia para plantio e cultivo, preparação de semente, entre outros. O mais  importante é garantir uma produção sustentável, seja para o produtor, seja para os consumidores, cada vez mais exigentes.

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