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Foto: Acréscimo

Acréscimo diz que incêndio de Monchique se deve a “epidemia de eucaliptos”

O incêndio em Monchique “é mais um caso de outros que aconteceram e muitos que irão ocorrer em breve”, “epidemia de eucaliptos e ‘investimento de casino’ põem em causa populações e território”, diz a direcção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal.

Em comunicado, a Associação presidida por Paulo Pimenta de Castro, refere que Portugal “é vítima da proliferação de espécies exóticas pelo seu território. O eucalipto ocupa 10% do território nacional, assumindo o País o primeiro lugar na área relativa de plantações desta espécie a nível mundial”.

Para a associação, a esta espécie, originária da Austrália, “acrescem os danos provocados nos ecossistemas nacionais pelas invasões de acácias e háqueas, espécies com a mesma origem geográfica”.

Gestão de abandono

“O território nacional é vítima de uma epidemia de eucaliptos, áreas com forte densidade arbórea e com uma gestão de abandono. Este facto tem uma expressão territorial superior a 800 mil hectares e é fruto de um ‘investimento de casino’, de uma aposta na sorte entre sucessivos incêndios”, diz o mesmo comunicado.

E adianta que, para além do “elevado risco para as populações, constatado em 2017, esta situação provoca um contínuo empobrecimento económico, social e ambiental”.

“É-nos vendida uma alegada boa gestão nas áreas de monocultura de eucalipto na posse das empresas de celulose, com uma área global de cerca de 155 mil hectares. Mas, será mesmo assim? Não sendo apresentados e validados números, estima-se terem ardido, só em 2017, cerca de 10% desse património. No presente incêndio, em Monchique, assumem destaque áreas de eucaliptal na posse destas empresas”, realça a Acréscimo.

“Fatia do território” entregue a “dois grupos empresariais”

Atacando as empresas de celulose, a Acréscimo frisa que “a dispensa de uma importante fatia do território a dois grupos empresariais inviabiliza outras opções com muito maior peso no Produto Interno Bruto nacional. O sector do turismo e outras ocupações mais sustentáveis do território são as principais vítimas”.

Para a associação presidida por Paulo Pimenta de Castro, o sector do turismo tem no PIB “um peso dez vezes superior ao total do sector florestal, este último englobando os subsectores da cortiça, das madeiras e do mobiliário, este representando 80% do volume de emprego no sector, e o da celulose e papel”.

A associação aconselha que o País “tem de fazer opções”, ou manter uma “epidemia e um ‘investimento de casino’ pelo seu território, ou adequar esse território a usos mais sustentáveis, como a produção agroflorestal ou de paisagem para recreio e lazer”.

Agricultura e Mar Actual

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